Tons de sorriso e orvalho
Rebenta a manhã na marcha lenta
das horas famintas do nosso coração.
Desenhas o teu beijo no alvo do meu pescoço.
Fechas as mãos firmes na brancura
da minha anca. Sussurras gritos
e loucuras nos meus seios entumecidos.
Rasgo-me num gemido timidamente
selvagem. Enterras os dedos nos meus cabelos
castanho-negro-corvo. Aspiras o cheiro
suave de paixão, as pernas trementes
a envolverem-te, a encontrarem-te.
O Sol surge na calma adormecida
da passividade do tempo.
Escondo o rosto ofegante. Procuras-me.
Encontras-me. Afastas de mim
os véus, as máscaras, os risos,
as lágrimas. Entras devagar
como se todo o meu corpo fosse o
altar da tua respiração.
Descobres-me. Com os dedos.
Com os lábios. E os dentes.
Cravas-te em mim. O mundo
some-se. E tu... vives.
Pulsas. Conquistas espaços
onde o espaço é impossível.
Compassas-me. Entrelaças os dedos
nos meus. Confundes-te comigo.
Ofereço-te o teu nome
tempo paciência carinho
amor paixão desejo
num movimento badalado
de maré invisível.
O sangue ferve-me na superfície
do rosto (ainda) estranhamente
juvenil.
(ama-me...)
As palavras secam-me os lábios,
na fonte da garganta. Onde me nascem
os poemas.
Onde emerge o prazer.
(na cadência perfeita da alma
e do ser)
Onde submirjo a insegurança da
menina para renascer mulher.
Redefine-me.
O Sol acaricia a nudez
sincera dos lençóis.
(inspiro
expiro
inspiro
expiro
gemo
inspiro...)
Unos. Na rebentação
das ondas da explosão.
Tremo no teu corpo.
(inspiro,
expiro...)
Saboreio o silêncio adocicado
dos meus lábios rubros
perfumados de ti.
Confundo os meus braços
nos teus. Desenho o meu perfil
no teu peito. Repouso.
(fazes amor com as minhas mãos,
pintas o nosso amor nas nuvens,
no silêncio, nas árvores
com tons de sorriso
e orvalho)
Publicado por Fairy_morgaine em dezembro 8, 2008 10:40 PM
| TrackBack