dezembro 07, 2008
Criança muda
Os homens assumem a coragem
de se atirarem dos tectos onde consumiram
a pertinência dos dias.
Voam. Esborracham-se. Apenas porque
podem. O esguicho de sangue atinge
a criança muda que aguarda o autocarro.
Ergue o olhar agudo para a incompetência
do velho que varre a rua, cansado.
Cheira a sangue. Mas ela não se importa.
Conhece os homens e os seus suicídios
perpétuos. Sorri. O cheiro a sangue
acalma-lhe a alma.
Publicado por Fairy_morgaine em dezembro 7, 2008 07:24 PM
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Querida Sílvia
Há muito não via este estilo de poesia, de que eu gosto muito.
Um beijo
Daniel
Nao tenho palavras para descrever o quanto a sua escrita se identifica com a minha vida. Feita de sangue, de carne, de vida...é cruelmente autêntica e vibrante.