novembro 19, 2008

Vampiro Branco

Aguardo como sempre aguardei
o princípio do fim. A intemporalidade
da dor. Da faca que se espeta nas costas.
Entre o ventre e as costelas frágeis.


Partilho as palavras e o silêncio,
os espaços, as músicas
e a necessidade de compreensão.
Sou tão terrivelmente humana.


(ou não...)


Abraça-me o corpo branco
marcado pelo calor do inferno
da doença. Deixa-me sair,
segurar-te as mãos trementes
e ensinar-te todas as ladeiras
que te impelem ao abismo.


As paredes conhecem todas
as possibilidades em que tropecei
no decorrer do tempo magro.
Coloco a tua fotografia num espaço
vazio e sorrio-lhe com a nostalgia
da amargura.


Abraças-me ainda.
Amaldiçoas os olhos que te tragaram
a alma. Lambes os lábios secos.
Abres-te num sorriso que não
te toca as íris. Descais o rosto no meu
pescoço. E sugas-me.

Publicado por Fairy_morgaine em novembro 19, 2008 08:43 PM
Comentários

Querida Sílvia
Poemas em que "és" alimento... pareces à beira dum abismo (não sei porque as tuas palavras me fazem pensar isso, desculpa)... mas não deixes de apanhar a mão que se te estender.
Um beijo
Daniel

Afixado por: Daniel Aladiah em novembro 22, 2008 03:51 PM