Vampiro Branco
Aguardo como sempre aguardei
o princípio do fim. A intemporalidade
da dor. Da faca que se espeta nas costas.
Entre o ventre e as costelas frágeis.
Partilho as palavras e o silêncio,
os espaços, as músicas
e a necessidade de compreensão.
Sou tão terrivelmente humana.
(ou não...)
Abraça-me o corpo branco
marcado pelo calor do inferno
da doença. Deixa-me sair,
segurar-te as mãos trementes
e ensinar-te todas as ladeiras
que te impelem ao abismo.
As paredes conhecem todas
as possibilidades em que tropecei
no decorrer do tempo magro.
Coloco a tua fotografia num espaço
vazio e sorrio-lhe com a nostalgia
da amargura.
Abraças-me ainda.
Amaldiçoas os olhos que te tragaram
a alma. Lambes os lábios secos.
Abres-te num sorriso que não
te toca as íris. Descais o rosto no meu
pescoço. E sugas-me.
Publicado por Fairy_morgaine em novembro 19, 2008 08:43 PM