novembro 05, 2008
Não sejas
Traço linhas liláses nas fotos desfocadas que são as minhas memórias.
Aprendi caminhos e becos.
Desaprendi esses mesmos caminhos.
Esses mesmos desvios. Tornei-me vazia.
Numa tarde de Outono precisei de saciar a sede imensa dos lábios.
Bebi o sangue puro de estrelas recém-nascidas.
Afaguei o corpo cansado e torpe.
As tempestades que fustigam o rosto das crianças
e dos velhos ainda não cessaram.
Nem o ruído dos sons vagos que alcançam o meu coração.
Nem tu pudeste alterar o vazio da consciência.
Nem as tuas mãos roídas. Nem o teu corpo vivo
e pulsante. As tuas palavras não penetram a máscara
com que escondo o grito do silêncio.
Preciso de precisar-me. Preciso não precisar-te.
Esqueço-te. Devagar. A cada dia. A cada momento
corrompido na nesga da visão. Esqueço-me.
A cada passo. A cada grito
[prometi, em tempos, a uma pessoa moribunda
que não voltaria a sonhar, a acreditar, a querer.
prometi, em tempos, que jamais iria abrir os braços
e atirar-me num abismo sem fé]
Desacredito-me. Desacredito-te.
Desaprendo-te. Não digas mais nada.
Não fales. Não respires. Não vivas. Não pulses.
Não sejas tu.
Publicado por Fairy_morgaine em novembro 5, 2008 11:06 PM
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Querida Sílvia
Não acreditar, crendo... não desejar, desejando...
e tudo o mais que nos faz viver, morrendo, com esperança de que cada morte seja o prenúncio dum renascimento... e tudo isto a propósito dos teus belos poemas!
Um beijo
Daniel
'a morte saiu á rua num dia assim'
Adorava roubar-te a arte de bem escrever.
Adoro cada palavra tua.
uma palavra sincera basta...
amei
Adoro a graciosidade deste blog. É genuino, é sofrido e vivido.