A queda do anjo
Acendo a tv e as imagens queimam-me
os neurónios, a morte e o cheiro intenso
de desonestidade. O rasgo da humanidade,
o choro das crianças e o pulso fraco da
moribunda verdade.
Bloqueio a transmissão essencial de informação
para apreender ínfimas partes do degredo
que é labuta diária do povo.
Quero cortar o cordão umbilical que me une
aos homens e a deus. Quero cortar
a linha que traça o destino.
Lá fora, no frio da cidade corrompida
homens engolem crianças puras e
apagam a inocência dos justos.
(crianças cospem crianças pelas pernas
desnudas)
No calor da noite vítrea há mulheres
que gritam, os cabelos vincados nos dentes.
As mãos coladas e a incapacidade
de atravessar uma adaga no peito.
(o rio corre para o mar num movimento
infindável)
Noutra terra, noutra poeira,
há corpos que fertilizam o chão que
abandonaram. Os dedos roídos
de sida e de miséria.
Mães afogam as filhas no suor
do campo. Mães entregam as filhas,
vendem-lhes o corpo e a alma.
[O mundo tornou-se infinitamente
mais pequeno. Os braços do tempo
envolveram a queda abrupta
do anjo]
20-09-2008
Publicado por Fairy_morgaine em outubro 5, 2008 01:41 AM
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Querida Sílvia
Não é a primeira vez que presenciamos a queda de um anjo... desde sempre aconteceu... voamos, subimos, olhamos, sentimos, choramos, descemos e misturamo-nos...
Um beijo
Daniel