O vento Norte
O vento Norte sopra na direcção
do futuro e deixa mensagens impressas
nas árvores, poesia imersa no papel condensado
das páginas que compõem a vida.
O vento encontra a superfície do mar,
a sombra da lua, o rosto inocente da criança,
o absurdo, o impensável, o rasgo.
Inverte na curva, sobe, desce, ladeia
a solidão dos velhos, o cansaço dos homens,
a vergonha das mulheres e a delapidação
da carne. O vento sucumbe à fatalidade
do emergente ciclone, a destruição
e reconstrução da Natureza, a infantilidade
menina das crenças, das esperanças, das paixões.
O início. E o F I M.
O vento tem vários rostos, vários braços,
vários sexos, vários ângulos,
várias verdades, várias ânsias.
Recolhe sonhos no amanhecer e medos
embalados na noite escura.
Abraça o sofrimento e a decadência,
a espiral aguda da (r)evolução.
O vento não tem identidade, não tem
um olhar, não tem traços nem serenidades.
O vento tem, tão só, melodia.
Notas, perfeições e espaços criados para o crepúsculo
pela Dama de Branco.
O vento é a única herança
dos deuses no final da criação.
Publicado por Fairy_morgaine em setembro 25, 2008 09:50 PM
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Gosto do vento. Gosto dos ventos. E sim, têm "vários rostos, vários braços,
vários sexos, vários ângulos,
várias verdades, várias ânsias."
Beijos***