setembro 05, 2008

A incógnita

Teço um manto de silêncio e perfume
com que cubro a imperfeição das noites caóticas
e da fragilidade dos ossos.
Escondo-me nele e em ti, na partilha
do vazio das minhas mãos e das tuas mãos,
dos teus dedos frenéticos.
Cubro-te o rosto com os meus cabelos,
a palavra que pensavas proferir,
cubro-a de lábios e de imensidão.
Ofereço-te o linho, um caminho, um passado nulo
e um presente transversal.
Ofereço-te uma incógnita.

És a doença que me consome os dias, as noites
e os dedos e a cura que me rebela o coração.

Publicado por Fairy_morgaine em setembro 5, 2008 10:09 PM | TrackBack
Comentários

Este poema é muito bonito. Parabéns.

Afixado por: João Norte em setembro 6, 2008 12:32 PM

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