This is our farewell
Fujo.
Fujo-te. Porque na miséria escura da noite, o teu corpo já não traz nada de novo.
Sei-te o sabor. Sei-te o corpo magro e cru. Sei-te e isso não me acalma as ânsias, nem as feridas, nem os cansaços.
Estou despida de serenidades e onde estou não há Primavera. Nem Inverno. Aqui, não há Sol nem Lua. Há apenas um espaço morto onde viveu uma criança que partiu. A criança que és tu. Que fui eu. Que foi o nosso filho, o nosso futuro e o nosso passado inexistente.
Preciso deixar este quarto e respirar o ar frio da noite. Preciso deixar aqui o teu cheiro e os teus lábios, as mãos com que rasgas o meu corpo e me abandonas nesta cama e neste imenso nada.
As feridas que poluem o teu corpo já não são curadas pelo meu sopro. Abandono-te agora.
Não… não chames o meu nome porque já não tornarei a quedar os meus passos. O abismo aguarda-me finalmente.
A queda será infinita. Agrada-me.
Lembro-me quando imploraste que não partisse e não te deixasse só e como os meus lábios se apartaram e murmuraram: “Amo-te” e tu acreditaste. Lembro-me que estava Sol e eu estava de linho branco e braços abertos.
Lembro-me que o teu coração era um mar de sonhos e padecimentos. E que os meus olhos eram o mundo onde repousavas o teu desamor. Lembro-me, que era no meu seio que lambias as tuas feridas.
Subitamente, a noite caiu em nós, demos as mãos e prometemos que jamais abandonaríamos o mofo do nosso quarto e do nosso chão.
Lembro-me que os teus olhos eram o céu em que espelhava o meu rosto. Disseste-me “eu não te amo” e eu não pude acreditar. E caminhei junto ao teu caminhar, e sonhei junto ao teu sonhar e pintei-te em todas as paredes e quis-te com a força de uma impossibilidade.
Lembro-me que as lembranças de hoje foram os sonhos de ontem.
Fujo-te.
Preciso de mim.
Não preciso de ti. Não estás aqui.
Não estarás mais aqui.
Não cumpriste a tua promessa. A tua promessa muda.
Por favor, devolve-me.
Para que te fuja.
This is our farewell.
Publicado por Fairy_morgaine em maio 13, 2008 12:00 AM
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As vezes tenho a impressão de que temos mais em comum do que parece... talvez por suas palavras serem um reflexo do que "vivo".
Conformismo... parece que corre atrás de mim e diz: aceita-me.
Chega a ser lamentavel...
um beijo e uma @},----