março 04, 2008
Silêncio mudo
Ergui um espaço, um pedaço de tempo
entre o meu corpo e a tua lembrança,
que terminou em mim o que restava de ti.
Sei, de todas as vozes que se levantam no vento
que a tua mente já não é a tua mente
e que o teu semblante já não é o teu semblante.
Sei que o teu caminho já não te leva
aos becos que te ensinei a ultrapassar.
Sei, que de todas as vozes que ouço na noite
nenhuma será a tua, nenhuma jamais será a tua.
Devagar, tens rasgado toda e qualquer memória
que acalentasse no coração, tens quebrado todo
e qualquer sorriso que pudesse vestir quando o teu nome
surgia na janela. Devagar, tens tirado a máscara
com que aliciaste a remota inocência que me serviu de casulo.
Contigo, aprendi que amanhã tudo poderá ser mais negro
e mais irrecuperável do que hoje. Contigo, aprendi que
a lealdade e o honesto pensamento que alimentamos
no breu vestido são mentiras, são falácias
com que fingimos ser felizes.
Contigo, ultrapassei todas as barreiras,
feri todos os pedaços ainda imaculados de pele,
perdi todas as oportunidades, fechei portas e
apaguei poemas.
Poderia dizer-te que espero que rasgues os pés
no asfalto, poderia dizer-te tantas coisas e todas elas
seriam necessariamente verdade.
Mas há algo de tão perfeito neste silêncio mudo
com que brindo o teu cadáver, que o meus lábios negam-se
a proferir mais do um adeus sussurrado.
Publicado por Fairy_morgaine em março 4, 2008 03:33 AM
É hora de deixar partir quem nunca foi verdadeiramente nosso, quem nunca nos pertenceu, embora assim o parecesse....Doce ilusão!È hora de seguir caminho....
Laura
alguem escreveu.............................
Ouve-me, ouve o meu silêncio. O que falo nunca é o que falo e sim outra coisa .....capta essa outra coisa de na verdade falo porque eu mesma não posso.
Tava a ver que não dava com isto!
Andas «cadavérica»... :)
Dark kiss.
Olá Fairy, às vezes o silêncio fala melhor e esse aí, não merece nem mais um bom dia, que rasgue os pés e as mãos no asfalto, literalmente, rsrs, kkk.
Miga, o que escreves sempre me toca, de uma maneira ou de outra. Este teu sentimento nostálgico, esta metamorfose criativa das coisas idas e vividas, a letra pensada e sentida, mais sentida que pensada no seu significar, vão muito além do simples signo ortográfico. Lí tudo, tudinho e deixo um beijo grandão.
Fiquei muito contente com a tua visita lá em casa. Ainda bem que gostaste!
O pior do silêncio é ser mudo quando se deve ouvir.
Jinho
um silêncio mudo faz-me lembrar um vazio sem limites é pesado e duro, mas há quem já não nos consiga tirar mesmo mais nada...
A esperança anda escondidinha mas anda por aí, é preciso arranjar um canto sossegado com sombra, muita paciência e perserverança que ela acaba por dar o ar da sua graça :)
bjos para ti