fevereiro 26, 2008Baú de memóriasAbro o baú das memórias. Amo-te, sabias? Não sei o que é o amor, estou cansada dos desvarios da mente. Não entendo as palavras que me depositam nos pés. Que sabes tu de mim? Diz-me… Pergunto-me que saberei eu de mim mesma, dos meus anseios e infelicidades. Do profundo sofrimento que alojei no peito. Amanhã, o Sol nasce mais cedo? Achas que amanhã, o céu será subitamente lilás? Haverá uma imensidão de poemas a caírem das janelas, a semearem o chão cinzento de solidão. O que é o amor afinal? Explicas-me? Essa imensa piada cósmica, essa fatalidade histórica. Que procuro eu nos lábios que beijei? Em todos os braços em que dormi, o sono sobressaltado de pesadelos. Tive um pesadelo, no outro dia. Um homem corrompia outro e desnudava-lhe a natureza. A vida não espera por mim. Sinto o corpo velho e manchado. O pecado escorre-me pelos olhos. Tic-tac. Tenho medo. Medo desta habituação à noite e ao silêncio. Os olhos secaram-me e já não lamento os meus erros. Há em mim uma impetuosidade de errar novamente, de me lançar no abismo, de perpetuar o destino. Entende, ao menos, que jamais me conheceste e que no meu seio moram todas as mulheres que fui ao longo da vida. Destruíste a minha vontade de amar. Olho entediada para o baú que não me traz nada de novo. Sei todas estas frases de cor, sei todos os homens que fodi, sei todos os momentos em que escrevi o final desta estória. Diz-me ao menos, que fui a melhor, que fui a única puta decente que deitaste na cama, que te rasguei até ao último pedaço, que destruí tudo o que querias alimentar no teu ser, que te desvirtuei todos os valores, que impedi todo e qualquer sorriso. Ao menos, sabes do que falas? Hoje, não me enroles nos teus fados, não me digas nem me ensines poemas, não me afastes do espelho fétido em que reflicto o meu rosto cansado. Chega aqui. Vês aquele rosto no espelho, vês as lágrimas ausentes e indubitáveis? Devo dizer-te que é delicioso terminar a tua vida nesta linha. Eu amo-te. Eu sei que nunca fui um homem decente, mas amo-te e quero que me deixes terminar a merda em que tornei a tua vida… Ao menos isso, num golpe final. Se cruzares novamente o meu espaço, termino com toda a tua psique… E vai ser…delicioso… Ao menos, diz-me que sabes do que falas… Deita-te aqui comigo, cobre-me as incertezas e os esgares, morde-me os lábios, rasga-me por dentro mais do que já estou rasgada. Mas queres que te coma? Não… Um dia ainda hei-de cometer a imprudência de ser feliz. Comentários
Será que é mesmo o FIM??...será que te conseguirás mesmo libertar....deixa-lo ir??...será que conseguirás seguir um caminho sem pedras?? Laura Afixado por: lAURA em fevereiro 27, 2008 09:48 AMvim ler-te na serenidade da noite entrei e silenciosamente deixei-me ficar...
lena Afixado por: lena em fevereiro 27, 2008 10:03 PM |