fevereiro 20, 2008

O teu sorriso, um lápis e uma folha

Guardo no meu peito o teu sorriso, um lápis e uma folha amarelecida pelo Outono.

Ontem fodeste mais uma. Sim, eu sei. Entrei no quarto de rompante, rasguei-te os olhos, feri-te a pele do rosto, bati com os punhos no teu corpo amargurado. Não... não entrei. Ontem, disseste-me que o erro perpetuado é apenas teu. E eu soube que era verdade e ofereci-te uma lágrima cristalizada. Imaginei uma e outra vez o momento em que entro no quarto e rompo o teu coração. Uma e outra vez. Again. And again... and again.
Um dia, disse-te eu, amei um homem e não foste tu. E tu olhaste-me cansado e suspiraste. As tuas mãos tremeram, quase me tocaram. "Fodi-a". Disseste-me. "Eu sei...". "Não significou nada. Nada significada nada para mim".
"Eu sei".
Imagino o momento em que me sento na cama e te corto o cabelo, te queimo as mãos perfeitas de pianista. Imagino uma e outra vez e odeio-te profundamente.
"Não ficas incomodado se alguém conspurcar a tua boneca de porcelana?"
":)". Podia envenenar-te aos poucos. Dilacerar a tua vontade de viver. Tirar-te a minha respiração e deixar a esperança morrer-te. Podia terminar o teu caminho erecto.
Podia abandonar-te para sempre e lançar-te às feras da tua alma. Podia deixar-te na solidão mais obscura que vive no teu ser.
"Não vou nunca tocar-te, minha boneca... Não posso."
Quem te disse que podias escolher o meu destino e o que julgas ser o caminho que devo trilhar? Eu... eu que me entreguei no teu colo, os cabelos a caírem-me nos ombros enquanto tu respiravas pela minha boca, respiravas o cheiro do meu cabelo, molhavas-me o colo de lágrimas, prendias o meu pulso ao teu.
"Nunca te irei destruir como me destruo, como as destruo, não vou foder-te e largar-te numa cama de olhos abertos crivados no tecto, os lábios entreabertos num grito mudo... Não vou vir-me em ti... Não vou deixar de te amar com a força que te amo neste momento..."
Ontem fodeste mais um pedaço da tua alma. Largaste-o no meu colo. "Guarda-ma. Vem cá..para o meu colo, abre-me o teu coração, deixa-me dormir em ti, deixa-me ser o vampiro que dorme no teu seio...".

Amanso as feras da tua alma e deito-me com elas. Durmo. Aguardo-te. Lá fora, fodes alguém. Sonho contigo. O momento que vais chegar e vais cobrir o meu rosto de beijos e me vais dizer que jamais me irás quebrar..

Guardo a tua alma dentro da minha para que não lhe inflijas um golpe fatal.

Publicado por Fairy_morgaine em fevereiro 20, 2008 10:58 PM
Comentários

Duas almas meninas, crianças,
amam-se e magoam-se mutuamente, num platonismo eterno e nada mais...
No fundo quem são vocês para contradizerem o destino que foi por vós traçado??
Apenas são crianças, meigas e eternas crianças ^^


P.S: Tu sabes o que quero dizer com isto ^^

Afixado por: Jana em fevereiro 20, 2008 11:13 PM

Ola .


E mais uma vez as tuas palavras 'penetram' o sentir .

Obrigado por elas, obrigado por nós que te ouvimos 'cantar' .

Afixado por: AndreGomes em fevereiro 21, 2008 02:48 PM

Fico sempre sem saber se as tuas mensagens são dirigidas a alguém REAL, ou se são meras divagações. Fazes-me lembrar alguém…..as tuas historias transportam-me a um passado tão recente, tão real!
As almas que se encontramos por este mundo nem sempre nos estão destinadas……
Laura

Afixado por: Laura em fevereiro 21, 2008 05:40 PM

Mesmo que irreais Tuas "histórias" fossem, assemelham-se tanto com as histórias reais da vida, que ao lê-las me identifico,sendo ou não minhas próprias histórias ou as de alguém muito próximo que conheço. Parabéns por escrever tão bem
bj fique bem

Afixado por: ni em fevereiro 24, 2008 10:44 PM

Espero um dia poder ler um livro teu há muito escrito nestes textos.

Afixado por: João Norte em fevereiro 27, 2008 12:27 PM