A miragem
Lembro-me dela.
Era pequena, os lábios rubros.
Tinha as mãos eternamente brancas
e o regaço em flor.
Lembro-me da música com que
lavava o cabelo escuro.
Das letras com que mascarava a solidão.
Lembro-me do fio negro que lhe
queimava a alvura da pele,
do linho com que cobria a nudez.
Lembro-me dele.
Era alto e tinha o corpo marcado pelo vento.
Tinha as mãos eternamente finas e suaves,
um pianista rejeitado pelo som do piano
Lembro-me do sorriso torto e do cabelo
revolto, as letras com que enganava
o destino. Lembro-me do dourado
que lhe rodeava as íris.
Lembro-me dos dias infinitos
em que tomavas os meus lábios,
como um sonho perpetuado pela ânsia
de saber todos os momentos,
todos os poemas, todos os sonhos.
E tu estavas ali. E disseste - lembro - que
ficarias sempre.
E eu acreditei.
Publicado por Fairy_morgaine em janeiro 15, 2008 09:58 PM
Querida Sílvia
Lindíssimo poema, como sempre. O sofrimento atormenta a alma, mas engrandece o sentimento e a escrita.
Um beijo
Daniel