novembro 29, 2007

Um manto de silêncio

Cubro-me com um manto de profundo silêncio
e sei que algures lá fora a noite ficou ainda
mais densa e tortuosa. Aprendi os caminhos de
mim como quem aprende a ler o sal nas mãos
de quem amou. Procuro-me, cega, mas o meu
peito não reconhece o som asmático
do negro que perfura os olhos demasiado
grandes e perscrutadores.
Sei que quando me morrerem finalmente
as palavras nuas o som do meu nome
me será infinitamente estranho.
Sinto que quando me morrerem finalmente
as mãos turvas quedas no regaço,
todas as folhas amarelas que depositei
na tua campa se transformarão em regatos
de água doce. Cubro-me com um manto
de profundo silêncio e descubro
que a noite lá fora invadiu o meu espaço
e trespassou a minha alma como uma adaga
penitente e humilde. Cubro-me com um manto
e deixo que o sono e o profundo silêncio
se abatam no meu seio onde um dia
moraram os sonhos e as imperfeições.

Publicado por Fairy_morgaine em novembro 29, 2007 09:46 PM
Comentários

Dorme,
no teu quarto escuro
onde se transformam todos os silêncios
e se depuram todos os sonhos e ilusões.

Dorme,
até que te deixem acordar
e que os teus olhos ao abrirem-se
te recordem que ainda sabes como sorrir.

Afixado por: Apenas alguém em novembro 30, 2007 12:38 AM

mto bonito este poema Apenas alguém. Só tenho pena que não tenhas deixado um mail de contacto para que te possa responder :) beijinho

Afixado por: fairy_morgaine em novembro 30, 2007 07:40 AM

Há tempos e espaços que são apenas nossos e ninguém tem o direito de invadir, ainda que um carinho e um conforto sejam possíveis e façam sentido.

Fez-me sentido identificar-me apenas o suficiente para poder olhar-te nos olhos e levar-te essas palavra sem te obrigar a olhares pela janela antes que o dia te possa parecer menos cinzento...

Com um carinho imenso.
Com um beijo imenso também, se assim mo permitires.

Afixado por: Apenas alguém em novembro 30, 2007 04:37 PM

Espero que ao acordares desse sono, todas as imperfeições te pareçam agora diferentes, e que ames, e que sigas em frente, e que vivas... feliz.

Afixado por: Sandro em dezembro 10, 2007 11:49 AM

Querida Sílvia
O tempo passa, mas não atua escrita e a minha leitura...
Festas felizes!
um beijo
Daniel

Afixado por: Daniel Aladiah em dezembro 11, 2007 12:37 AM

"Aprendi os caminhos de mim como quem aprende ler o sal nas mãos de quem amou."
Escreves silêncios como ninguém, é maravilhoso ler-te... :)

Afixado por: cheap thrills em dezembro 13, 2007 01:41 AM

Todos os dias venho aqui à espera de um novo poema. São maravilhosos.

Um beijo. : D

Afixado por: Cláudia em dezembro 17, 2007 01:07 PM