outubro 19, 2007
A fada-menina
Guardo-te, pequenina e frágil numa caixa
de música poeirenta, as asas encolhidas
com brilho de estrelas que descem do cabelo
loiro e ondulado. As mãos em frente ao rosto,
a inocência do teu semblante triste.
Guardo-te, pequenina e frágil,
uma mera recordação de anos
passados e quase esquecidos.
De tempos a tempos olho-te,
os olhos vagos de desesperança,
os pés cansados de viagens vãs.
Pergunto-me que sonhos sonhava
quando o meu rosto era o teu rosto
e as minhas asas rasgadas eram tuas asas
de estrela. Que sonhos alados segurava
nas minhas mãos eternamente brancas.
As respostas, sei-as de cor.
Conheço os mundos liláses que
pintei nos meus anos de infância
interrompida, conheço os vestidos
com que me vesti, os livros com que
forrei o meu coração, o rubor das faces
que não se apagou com o passar dos anos
e está perpetuado na minha imagem,
na menina-fada que guardo preciosamente
na caixa de música que já não existe
senão na minha memória e que tentei queimar
com o fogo da realidade humana.
Mas a menina que fui e que dorme, loira
e bela envolta no brilho das estrelas
ainda respira suavemente,
ainda existe, uma memória viva
nos confins da minh'alma.
Deixo-a e parto. A realidade lá fora,
os ventos uivantes da mentira
esperam-me. Lanço-lhe um último olhar
envergonhado cravado no momento
que a adormeci para não a dilacerar.
Nos seus sonhos talvez ela me veja.
Talvez ela saiba que a mulher que sonhou ser
não passa de uma máscara desbotada.
Rasguei todos os seus sonhos,
todos os livros, todos os mundos liláses
e abracei o mundo fétido com demasiada
força, demasiada ânsia. Rasguei-me.
Eles chamam-me lá fora.
E ela dorme, a pequena fada-menina,
o brilho de estrelas que vive no seu peito.
Publicado por Fairy_morgaine em outubro 19, 2007 03:16 PM
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Querida Sílvia
E os pozinhos de ouro? Se deixas de acreditar, não consegues voar...
Um beijo
Daniel
Olá Silvia, de tão ternurento e lindo texto e de tão emocionante esta menina-fada, peço-te permissão para publicar um dia no meu blog, posso? Com a devida autoria obviamente. É com muito carinho que volto e deixo estas minhas palavras:
Com a chave da saudade,
abri o arquivo das recordações.
Nele encontrei-te
com aquele sorriso indecifrável
a desafiar
a todos,
a agradar a mim:
como antes,
como depois,
como agora.
Nunca deixes voar esta menina, mesmo que a enchente queira arrastá-la.
Beijo saudoso.
Oi Silvia, se concordares, envia o texto por e-mail, mas se não quiseres, não haverá problema, compreenderei, ok? Muitos beijinhos.
Aposto que algures nessa caixa que já não existem restam uns graozinhos do mundo Peterpan nao?
Certamente que os guardas preciosamente no fundo do teu olhar... é so largares a âncora que os sustêm no fundo dos teus sonhos... eles vêm ao de cima Morgain... Eles acabam spr por voltar...
* Sissi
Olá sil, já publiquei a tua menina-fada e tuas palavras estão agora mais perto de mim. Um doce beijo e obrigada.
Olá, Fairy_Morgaine não é de todo um nome desconhecido para mim, só não me relembro onde já o vi. mIRC (#poesia) ?? talvez dai, parece-me que sim. Para qualquer dos efeitos, sou o Night||Bird dessa era. Beijo.
Olá Sílvia,
Encontrei seu blog e amei seus poemas...Tudo aqui é muito lindo.
Espero ver mais.
beijos.