setembro 26, 2007
A espiral
Vi-te partir numa noite escura
de Setembro. Levavas as mãos
escondidas nos bolsos,
os olhos vagos e crispantes.
Vi-te partir. Soube instantaneamente
que a rota de colisão estava permanentemente
traçada nos nossos destinos.
Escondi o rosto por trás da máscara negra
da imponente solidão, escondi
todos os poemas que te escrevi,
rasguei todas as fotografias em que
nunca constaste.
Acordei numa manhã cinza de Setembro
e tu ainda não tinhas chegado.
Virei o corpo cansado e espreitei o rosto
do menino que és tu deitado a meu lado.
Abraçou-me.
Sei que enquanto ele aqui estiver,
estarás enlouquecedouramente
perto.
Quis oferecer-lhe as minhas lágrimas
liláses, deitar-me no seu colo,
ensinar-lhe os erros amargos da minha vida,
quis cantar-lhe poemas sem voz,
quis esquecer-me de mim,
quis romper o meu coração.
Eu estou aqui. Ainda te amo,
disse ele baixinho encostado
ao meu rosto. Ainda me amo...
A noite veio e trouxe-te nu e
violentado. Seguraste-me as mãos,
apalpaste os meus olhos, cego.
Quiseste saber, febril, porque ficas para trás
sempre que o teu corpo se ausenta de mim.
E eu... já não te sei devolver.
Publicado por Fairy_morgaine em setembro 26, 2007 05:38 PM
pois é. está bonito como sempre.
simplesmente belo... como sempre...
um beijo
Querida Sílvia
Consegues prolongar o "sofrimento" da ausência/solidão até ao infinito de nada...
Escreves muito bem, nomeadamente porque sofres... esta é a minha teoria.
Um beijo
Daniel
A noite veio.
Trouxe um poema sentido, de coração rasgado, onde o amor balança, entre lágrimas e amarguras...
A noite veio.
Trouxe uma espiral para ser cantada em versos...
De mansinho...
obrigada pelo comentário, não mande mail para o mail que eu pus no outro comment, pois não tá correcto. deixe um comentário no blog se quiser. :) (o mail que pus neste comentário é novamente ficticio, só pq é necessário deixar o e-mail para o comentário ser enviado)
Mais uma vez, obrigada!
Fico contente de ter atingido as espectativas.Não sei se era aquela a sua interpretação. Mas dei o meu melhor.
Beijo
Amar é não saber já estar-se sozinho... mas temos de estar
Oi, Fairy Morgaine. Há muito q conheço teus lindos poemas, logo mesmo qdo me encantei pela net. Agora os vejo aqui, tão belos qto antes. Pergunto se vc permitiria que eu os postasse nas comunidades virtuais em que participo, com os créditos devidos de autoria e fonte, claro. Desde já agradeço a resposta. Abraço. Myss
fikei sem palavras....
lindooooooooooo.bjinhus no teu coracao mu@@@@@
Que palavras poderia dizer eu perante um amor encantado na saudade como este?
Bjs meus
Olá !
Sinto estas palavras tão perfeitas , sinto-as tão perfeitas .
Obrigado por as partilhares e continua a dar presentes como estes a este mundo repleto de dor, e angústia .