novembro 18, 2006

Morte Nocturna

Não te sinto na escuridão do quarto.
Na imensidão da noite.
Sei-te disperso em almas e corpos
que não os meus.
Sei-te nas linhas de outros nomes,
outros rostos, outras cadências.
Não estás aqui.
Definitivamente.
O coração que batia em uníssono
com o meu é agora um balão oco
no espaço vazio que reservei para ti.
Bebo cálices com a Lua
enquanto aguardo que regresses.
Hoje estás demorado.
Quedas-te certamente em lábios,
braços, dedos. És dela como nunca
foste meu. O cordão umbilical que nos une
apodrece a cada dia.
Profecia, ameaça cósmica,
sereno cair do pano.


Diz-me apenas num sussurro:
"onde me morres no passar da noite?"

Publicado por Fairy_morgaine em novembro 18, 2006 02:08 PM
Comentários

Acabo de ter saciada a minha fome por um bom poema. Delicioso. Verdadeiro até os ossos.

Afixado por: VB em novembro 20, 2006 03:18 PM

Por vezes assusta-me não saber o que é "real" no mundo dos blogs...
Que seja um poema... uma divagação...
E que nas tuas noites vivas o amos em pleno... como deve, apenas, ser!
Um beijo

Afixado por: Sandro em novembro 23, 2006 11:02 AM

Coração que bate ao som do amor que partiu. O cordão que demora cortar provoca o vazio na escuridão dum quarto fechado.
"Onde me morres no passar da noite?" - sussurro que se vai transformar num grito!...

Afixado por: Amaral em novembro 25, 2006 10:03 PM

Querida Sílvia
O frio da noite... sussurros desejados e não suspirados...
Um beijo
Daniel

Afixado por: Daniel Aladiah em novembro 27, 2006 07:13 PM

Olá minha sobrinha kida,
Quanta dor, quanto sentimento, quanta tristeza, quantas noites... Existe um beber imenso que estão em lábios de outrém, um adormecer no quente de outro corpo.
Adorei o poema, mas é muito triste para mim sentir-te assim.
Um beijo da tia
{{coral}}

PS: Vê se consegues alterar o meu link no teu blog :)))))))), é só mudar um cadito de nada.

Afixado por: {{coral}} em novembro 29, 2006 01:20 AM

Muito Bom... vim cá ter por acaso e achei muita "piada" ao nome do blog... li mais algumas coisas do arquivo e irei voltar mais vezes.

Parabéns e continua com os gritos mudos...

Afixado por: Zaraki Kenpachi em novembro 29, 2006 02:36 PM

Sempre deliciosos, profundos, sentidos como se do teu ventre jorrassem poemas sem fim.

Um beijo.

Afixado por: João Norte em novembro 29, 2006 03:16 PM

como dói essa solidão...
esta morte que não é morte...


te beijo

Taís

Afixado por: nefertari em novembro 30, 2006 02:17 AM

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Afixado por: blsvzkqyv em maio 15, 2008 06:26 PM

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Afixado por: lbxkrkqsgvq em maio 18, 2008 09:05 AM

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Afixado por: mzlujyt em maio 26, 2008 04:36 PM