janeiro 11, 2006

Grito último

Tenho o ventre cheio de palavras.
Não se expelem, as malditas!
Enchem-me de sons e becos
que sei, amor, nada dizem.
Nada para além do indizível.

Embalo-te num afago e sei
que a tua dor foi e é e será
a minha.
Afinal... estamos juntos no
abismo da vida.
Afinal só tu poderias entender
o beijo que não sei beijar nas palavras.

Só tu poderias carregar a minha
dor contigo. Nos teus genes.
Na tua incapacidade de ser.
Na tua imperfeição tão perfeita,
meu amor. Tão...
perfeita.

Fogem-me as palavras
no grito último.
Repouso no teu colo
e beijo-te os dedos, faminta.
Só tu meu amor.
Só tu.

Publicado por Fairy_morgaine em janeiro 11, 2006 01:50 PM
Comentários

quando se concebe o amor a imperfeição torna-se perfeita e nós imunes às suas consequências...mais uma vez...lindas palavras. :) beijinho

Afixado por: lacshimi em janeiro 11, 2006 02:52 PM

Bonito como só tu sabes dizer

Afixado por: Joao Norte em janeiro 11, 2006 03:48 PM

Fico com a sensação de que estou a ler um texto que como é dirigido a alguém muito específico, não me diz respeito ler.

Afixado por: OffLimitZ em janeiro 12, 2006 01:27 AM

Um novo ano e a mesma intensidade nas palavras e nos sentimentos tão bem transmitidos. Muito bonito. Abraço.

Afixado por: Ofeliazinha em janeiro 12, 2006 11:15 AM

Para quando um livro compilando o que aqui escreves? Eu e muitos outros gostariamos...

Afixado por: sara em janeiro 12, 2006 03:00 PM

Só tu.

Afixado por: jctp em janeiro 12, 2006 07:43 PM

Não é o Amor, uma dôce palavra? Uma palavra delicada que pode significar vários significados como amar e ser amado. São as palavras que por vezes nos emocionam, nos cativam e nos comovem quando escutamos a voz daquele ou daquela a quem devotamos o nosso amor. Expressam sentimentos que gostamos de escutar e sentir, de viver e repartir. O Amor e as palavras estão de mãos dadas, pois há quem ame e não tenha a coragem de revelar a quem ama, porque não possui as palavras certas. Almas sem consolo, traídas pelas palavras que não conseguem matrializar o seu sentir. É sempre apaixonadamente que aqui me encontro no reino da Morgaine, e onde gosto de recolher-me para reflectir sobre a profundidade e o bom gosto que a rainha das fadas guarda para todos nós neste cantinho admirável. Muitas felicidades para ti Fairy. [Dominio dos Anjos]

Afixado por: HumbertotheWizard em janeiro 12, 2006 11:29 PM

Último não! por favor.
Queremos continuar a ler estes teus "gritos" que expressam a tua enorme sensibilidade.

Há já poucos blogues onde possamos saborear a beleza do verso, a política absorve outros espíritos mas o teu continua a jorrar beleza. Não nos abandones!

Afixado por: Joao Norte em janeiro 13, 2006 11:35 AM

Que força neste poema!
Espero que continues a maravilhar-nos com a tua escrita.
Um excelente 2006!

Afixado por: Betty em janeiro 13, 2006 12:47 PM

Sempre inexplicavel e, cá no fundo, tão familiar aquilo que escreves

Um beijo

Afixado por: Princesa* em janeiro 13, 2006 08:23 PM

Oi Fairy, que beleza, só tu... só tu para escreveres com tamanha força e sensibilidade, Adooooooooooreiiiiiii, minha amiga linda.
Vim tb para deixar um beijão e desejar-te um ano com momentos liiiiiiiindos e felizes ao lado do teu amore, ok?
Bjus e força na palavra sempre.

Afixado por: anne em janeiro 14, 2006 01:19 AM

O teu grito é um lamento, uma dor. Mas é também um grito de amor. Profundo, maravilhoso.
"Afinal, só tu poderias entender o beijo que não sei beijar nas palavras" - encantador!

Afixado por: Amaral em janeiro 14, 2006 06:37 PM

Que grito este!! Está lindo...tão dentro de nós!!

Beijo,

Cacau

Afixado por: Cacau em janeiro 15, 2006 04:07 PM

Profundo, encantador e lindo!

Afixado por: (In)confessável em janeiro 16, 2006 12:11 AM

O amor, este louco sentimento que nos eche de palavras o ventre e a cabeça!
e como gosto!!! de amar, de ser amada.
te beijo

Afixado por: Nefertari em janeiro 16, 2006 09:56 PM

Eis a fada no seu melhor. São tão cheias e belas estas palavras que aqui deixas.
Boa sorte nos exames... Tb tou nesse aperto!
E bons posts, como sempre :)

Afixado por: ashfixia em janeiro 18, 2006 01:30 AM

Se todos os poetas
Esses ridículos,
Escrevem um dia sobre o amor
Escrevo também agora sobre essa coisa,
Esse tudo, esse nada,
Essa afronta à humanidade
Essa insanidade.

É-se amado, amada, amante, amador
Marcado a ferros em brasa, trespassado,
Contundido e envolvido pela névoa da quimera
Pela eterna espera,

Se fosse amor, era claro,
Mas nunca dura para sabermos, senão pela dor,
que a memória do amor passado
Obnubila tudo, e é nada.

É uma vaga passageira,
Invade as entranhas à sua maneira peculiar
Aparência solar
Liquidez lunar,
volátil e ébria
Queima do sal amargo das ausências
Do absinto da perda
Invade tudo e contudo,
É nada.

Mas todos falam do amor como se fosse algo
E neste tempo material, essa demanda do Graal
vende-se em todo o lado,
Em risos disfarçados de sorrisos
Em preto e branco a cores
Em negra luz
Em tudo,
que nada mais é, que nada.


Afixado por: Almasy em janeiro 25, 2006 02:51 PM