novembro 21, 2005

Conclusões

Hoje conclui que:

Eu não controlo a poesia. Ela controla-me.
Eu não escolho a poesia. Ela escolhe-me.
Eu não sinto a poesia. Ela sente-me.
Eu não selecciono horas de poesia. Ela selecciona.
Eu não conheço a poesia. Ela conhece-me.
Eu não sei abortar a poesia. Ela exige-me.
Eu não consigo desligar-me da poesia. Ela liga-se.
Eu não fujo da poesia. Ela encontra-me.
Eu não escrevo poesia. Ela escreve-me.
Eu não tenho lugares para parir a poesia. Ela nasce.
Eu não a trago nos bolsos. Ela voa.

Terrivelmente,
Só a sei assim. E de nenhuma outra forma.
Só a sei tomar assim. E de nenhuma outra forma.
Foi assim que aprendi a tocar-lhe. E de nenhuma outra forma.

Entendo por fim que esta forma de poetisar vai de encontro:
ao meu eu.
à minha forma intempestiva de estar.
à minha fome de conhecimento de mim e dos outros.
ao facto de achar que de alguma forma amar é conhecer e conhecer é saber os segredos e labirintos do outro.
ao facto de achar que de alguma forma me amo porque me conheço.
ao facto de achar que de alguma forma poderia conhecer-me melhor e consequentemente amar-me mais.
ao facto de acreditar que todos os dias as pessoas que amo têm algo de novo para conhecer...e eu quero esse algo de novo. quero tocar-lhe.
à tempestade de sentimentos que sou eu e a outra que mora em mim.
à partição da minha psique e consequentes formas contraditórias de observar uma mesma realidade.
à ausência de lineariedade na minha vida.
à constante confusão nos meus sentimentos.
às pessoas complicadíssimas que amei, aos seus labirintos infinitos e terrivelmente belos.
à espiral imensa do meu destino.

Resumindo:
eu não sou poética. a poesia é que humana dentro de mim.


Isto leva-me a questionar-vos como sentem a poesia. Eu sinto assim. Desta forma.
Obrigada a esta menina-mulher que me fez reflectir acerca deste tema e tirar estas conclusões.
Inspiraste-me. Isso não tem preço.
Espero que ao contrário do que dizes, a poesia nunca morra em ti. E tu nunca morras para ela.

Publicado por Fairy_morgaine em novembro 21, 2005 05:31 PM
Comentários

Não agradeças..
A conversa fluiu de forma natural.. Tu és a poesia. Tu és um ser lindo:)

a poesia não morreu para mim. Estou apenas um pouco zangada com ela:)

Abraço terno e apertado.

Rose*

Afixado por: Rose em novembro 21, 2005 05:47 PM

Com mil demônios! então, é de posia que preciso, para conhecer a mim mesmo, para saber o que é o amor e para deixar fluir vida em minhas veias. Abraço

Afixado por: Jorge em novembro 21, 2005 08:36 PM

obrigada pelo comentario. depois volto para ler c mais atenção*


C.

Afixado por: C. em novembro 21, 2005 10:09 PM

Querida Sílvia
Há sempre alguém que nos momentos certos nos inspira ou nos faz reflectir. Eu procuro esses momentos e sempre eles me encontram....
Um beijo
Daniel

Afixado por: Daniel Aladiah em novembro 21, 2005 11:28 PM

Foi com algum pesar que constatei que a nossa madrinha foi substituída. Julgava eu ser ela a nossa musa inspiradora. Está na altura de aprofundares o teu conhecimento sobre os outros sem dúvida. Aguardo futuras pérolas. E mais não digo. Beijo ;)

Afixado por: a_tua_madrinha em novembro 21, 2005 11:58 PM

A poesia para mim?!?
É imagem que se move e me atravessa sem atravessar, som por mim atravessado sem atravessar, é o sonho que sonhei e que me sonha e ao mundo. É o indizível dito pelos interstícios do silêncio, o caldo primordial onde me afundo, aonde vou beber, que me bebe. É caminho em mim e onde eu caminho. É a luz facilitada pela escuridão, é a escuridão que espreita na luz e espera ser comida às colheradas ou absorvida pelas veias abertas ao mundo e ao seu pulsar. É a memória atravessada pela memória e pelo esquecimento e dispersa pela chuva ou pelo sol, difusa entre as nuvens, encandeante entre os raios de sol.

Beijinhos

Afixado por: André em novembro 22, 2005 06:27 PM

Olha fada incandescente, é mais ou menos um "subscrevo se me permites".A poesia faz parte de mim, ajuda-me,deixa-me feliz,irrita-me,provoca-me.É uma forma de estar e comunicar,conosco e com os outros,faz parte da corrente sanguínea e é simultaneamente uma realidade paralela...mas eu tento pô-la na ordem, não deixae que ela me controle! Mas é uma batalha quase sempre perdida com secreto prazer ;o).beijos grandes

Afixado por: hirondelle em novembro 22, 2005 10:41 PM

em conclusão:és poetisa, porque um poema leva sempre parte da alma do poeta, um poema vive porque o poeta lhe deu vida...e tu dás a vida aos teus poemas...são absolutamente lindos... nunca pares de escrever...jinhuz

Afixado por: soldeinverno em novembro 24, 2005 10:31 PM

Olá Fairy, tanta saudade! Quando te leio, faço-o devagar, devagarrrrrr, como quem degusta do melhor vinho. Aqui leio pedaços de alma, sentimentos. A tua palavra é tecida com o coração, livres das amarras impeditivas que o excesso de raciolalidade provoca. És uma poetisa e como tal mereces aplausos, beijos e admiração. Estarás sempre ao meu lado, embora ausente daqui, pelo pouco tempo que tenho. O meu carinho por ti é imenso e deixei um pedacinho dele no meu cantinho para ti, junto aos meus amigos.
Muitos beijinhos.

Afixado por: anne em novembro 25, 2005 01:11 AM

Obrigado por teres estado no meu canto. Vejo que tens um blog simpático e atraente.
Deixa-me dizer-te que as tuas "conclusões" são de uma grande pessoa! Evitei chamar-te poetiza, evitei pessoa com letra maiúscula, mas não devia tê-lo evitado, porque é fácil de "ver" que tu ÉS poesia! E SER isso (como poderia contecer com a pintura, a escultura, etc.) é simplesmente grandioso!
Parabéns não só pela tua capacidade de te exprimiries tão bem e dessa forma, mas pela (inusitada) conclusão a que chegaste, quanto à tua forma de estar e à tua forma de comunicares. O dom que sentes dentro de ti vais pô-lo à disposição do teu semelhante, levando-lhe, dessa forma, a mensagem que aqui deixas com tanta certeza e satisfação: amas-te a ti própria, para poderes amar os outros!

Afixado por: Amaral em novembro 25, 2005 08:30 PM

Uma das melhores coisas que já li...parabens e continua!!!

Beijo,

Cacau

Afixado por: Cacau em novembro 26, 2005 12:44 AM

Basta tão só que a poesia flua para que tenha valor. Venha por bem ou assim a cheirar a tiro de pressão.

Afixado por: OffLimitZ em novembro 26, 2005 01:27 AM

Poesia não se explica... No entanto sei que ela me encontra em noites desesperadas, me dilacera em ódios, me arranca gritos, me viola...até que me deixa mais calma para que possa continuar. A minha liberdade sem explicações, espelhos do que sou...uma imensidão que comunga comigo, então, eu não me importo de perder a virgindade. Entrego-me para que ela me possua, sem medos, em plena confiança no desconhecido.

Um beijo

Afixado por: Princesa* em novembro 26, 2005 03:54 PM

como me tocas na alma cada vez que te leio
tu és poesia

saudades de ti menina linda

um beijo meu de uma onda verde

lena

Afixado por: lena em novembro 26, 2005 08:48 PM

ainda bem que a poesia vive em ti..
aqui ela vive, vive por mim, pois há muito comecei a morrer...
te beijo

Afixado por: Nefertari em novembro 26, 2005 09:11 PM

Mais um passo para a definição...Beijo

Afixado por: Monalisa em novembro 27, 2005 08:35 PM

os dilemas...sempre a incerteza das coisas...fantástico como sempre. :)

Afixado por: lacshimi em novembro 27, 2005 09:00 PM

às vezes é difícil saber

quem é

quem


beijo de arrudA

Afixado por: arrudA em novembro 28, 2005 12:30 PM

Devias de vez em quando mandar também a poesia pró caralho, tal qual mandas uma pessoa, mesmo que a ames muito, quando ela passa das marcas. Não há mal nenhum nisso, sabias? Pelo que vejo, acho que já o devias ter feito há mais tempo. Isso está emperrado, Sílvia, não? Bom, diga-se de passagem e em abono da verdade, que eu também já não te lia há algum tempo. É, talvez seja isso, talvez seja eu que esteja emperrado e não tu... Esta maldita mania de relegarmos nos outros as nossas próprias insuficiências tem muito que se lhe diga, mas pronto. Pára durante uns tempos de escrever, porra! Olha, faz como eu, vive, observa, analisa o mundo à tua volta antes de sentares o cu à frente do computador, rapariga. Beijo.

Afixado por: jozef vengoz em novembro 29, 2005 12:58 AM

Belas conclusoes. Eu neste dia que se recorda a morte de Fernando Pessoa só digo que ainda bem que há poesia.

Afixado por: Ofeliazinha em novembro 30, 2005 02:55 PM

Adorei tua poesia. Entendo bem o que dizes! Vou continuar atento no teu bom trabalho.

Afixado por: Engº Teixeira em dezembro 1, 2005 12:58 AM

Caros amigos,

Apareçam NA ESCURIDÃO DA NOITE, e deixem as vossas mensagens de SOLIDARIEDADE.

Todos juntos em prol do mesmo rumo...

Pedro Nobre ;)

Afixado por: Pedro Nobre em dezembro 1, 2005 01:04 PM

Volto aqui para te convidar a uma visita pra ver a Aquarela, um presente que veio do Brasil, e que postei hoje.

Afixado por: Amaral em dezembro 2, 2005 09:09 PM

A poesia: ...
É assim para mim. Beijos

Afixado por: ashfixia em dezembro 5, 2005 11:43 AM

Nunca deixes de tirar conclusões fantásticas... bons pensamentos...
Jinhos já tinha saudades disto aqui...

Afixado por: Vera Cymbron em dezembro 5, 2005 12:40 PM

Há cerca de dois anos foi a febre.

A bolgosfera era uma realidade imparável. Quem não tinha um blogue não existia. Era um facto. Todos nós tínhamos um, dois, uma mão cheia de blogues. Poesia, fotografia, política, erotismo, arte, opinião, música, fait divers, cinema, diários, reflexões, sexo, opiniões… toda a gente tinha tanto para dizer.

Os blogues portugueses eram já alguns milhares e nós, obviamente, existíamos.

Fazíamos blogues, como quem experimenta um prato novo para o jantar. Um por semana, era a média. Alguns queimaram-se, alguns não tinham sal, alguns mantiveram-se na blogosfera como pequenos petiscos que se saboreiam em noites e dias estrelados. Um deles, foi este. O Blogue de Cartas. A ideia surgiu numa noite de partilha e desafio.

E porque não? Aberto a quem quiser participar.

A Floreca disse

Todos nós temos cartas que nunca escrevemos,
cartas que nunca enviámos,
cartas que nunca deitámos fora...

Eu (na altura eramos mais de mim e de nós) achei que podíamos publicá-las.

Regras deste blogue? Nunca as fizemos. Foram surgindo.

O Blogue foi um sucesso. Divertimo-nos, rimos, escrevemos, exorcizámos fantasmas, apaixonámo-nos uns pelos outros, fizemos amigos. As pessoas foram aparecendo e ficando ou aparecendo e voando para outras paragens. Sem obrigação de ficar ou de partir. Apenas pelo prazer de escrever cartas, ou telegramas, ou bilhetes, ou mensagens ou.. ou…

Há sempre um destinatário dentro das nossas cartas. Há sempre um homem ou uma mulher dentro das nossas palavras escritas.


Agora decidimos reabrir o blogue de cartas.
Esperamos pelas vossas…

Afixado por: LolaViola em dezembro 6, 2005 11:21 PM

A poesia tem esse poder, ela possui-nos, ela faz-nos sentir o que na verdade somos e faz-nos libertar tudo aquilo que queremos esconder...
beijos da tua mana

Afixado por: Joana em janeiro 7, 2006 12:52 PM