dezembro 29, 2008
O egoísmo do Amor
Abro os olhos serenos
e procuro com os dedos o teu rosto.
No decorrer da noite
afasto de nós a miséria dos dias
e desenho o teu corpo
no meu lençol.
Detenho-me na linha pura
dos teus lábios carnudos,
invado a tua boca,
o teu peito nu.
Abraço os teus braços infinitos.
Deposito o rosto na linha
da tua cintura.
Ouço-te respirar.
Sinto-te.
Sinto o calor que emana
do meu corpo para o teu.
A fogueira que arde
da minha alma para o meu sexo.
Cobres os meus lábios com o veludo
da tua respiração,
acaricias suavemente o meu seio,
entras em mim.
Um raio de luz a invadir o espaço
baço da escuridão do meu ser.
Preenches-me.
Sussurras poesia
enquanto me enlaças.
És tão perfeitamente meu.
Com os olhos semi cerrados
consigo vislumbrar as verdades do mundo
as linhas reluzentes que ligam
o teu coração ao meu.
Enquanto gemo o teu nome
e arqueio as costas na imensidão
do prazer. Com os olhos cheios de ti
consigo sentir o pulsar da Terra.
És tão perfeitamente...
Abraço o teu abraço
e renasço no teu semblante.
Deixa-me decorar o teu perfil,
as linhas que emolduram o teu sorriso
o compasso de tempo entre a tua rigidez
e o orgasmo multicolor.
És-me tão perfeitamente...
(lá fora o mundo gira e
traz-nos gestos cansados, pessoas
que deixaram de crer em si mesmas e
na força da Deusa Mãe.
lá fora o dia termina, inicia-se uma noite
e algures existem atrocidades
que o ser humano não consegue
travar. mas aqui, meu amor, aqui
o teu olhar repousa no meu e no egoísmo
do amor apenas te sei. aqui, não há
gritos nem silêncios infinitos.
aqui só existes tu.
dentro de mim. a pulsação
que atravessa os meus seios e me
invade o coração).
És.
Tão.
Perfeitamente.
Meu.
Publicado por Fairy_morgaine em
01:53 PM
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dezembro 13, 2008
Composição
Os objectos são meras impressões da memória
que guardamos dos dias.
Tivera um piano e imprimiria nas suas teclas
o teu coração, na sua cauda meus olhos
sedosos e os teus dedos alvos.
Tivera um violino e imprimiria nas suas cordas
o som límpido da tua voz, secretamente
recriada no perpetuar das palavras
com que compões "amo-te".
Publicado por Fairy_morgaine em
06:57 PM
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dezembro 08, 2008
Tons de sorriso e orvalho
Rebenta a manhã na marcha lenta
das horas famintas do nosso coração.
Desenhas o teu beijo no alvo do meu pescoço.
Fechas as mãos firmes na brancura
da minha anca. Sussurras gritos
e loucuras nos meus seios entumecidos.
Rasgo-me num gemido timidamente
selvagem. Enterras os dedos nos meus cabelos
castanho-negro-corvo. Aspiras o cheiro
suave de paixão, as pernas trementes
a envolverem-te, a encontrarem-te.
O Sol surge na calma adormecida
da passividade do tempo.
Escondo o rosto ofegante. Procuras-me.
Encontras-me. Afastas de mim
os véus, as máscaras, os risos,
as lágrimas. Entras devagar
como se todo o meu corpo fosse o
altar da tua respiração.
Descobres-me. Com os dedos.
Com os lábios. E os dentes.
Cravas-te em mim. O mundo
some-se. E tu... vives.
Pulsas. Conquistas espaços
onde o espaço é impossível.
Compassas-me. Entrelaças os dedos
nos meus. Confundes-te comigo.
Ofereço-te o teu nome
tempo paciência carinho
amor paixão desejo
num movimento badalado
de maré invisível.
O sangue ferve-me na superfície
do rosto (ainda) estranhamente
juvenil.
(ama-me...)
As palavras secam-me os lábios,
na fonte da garganta. Onde me nascem
os poemas.
Onde emerge o prazer.
(na cadência perfeita da alma
e do ser)
Onde submirjo a insegurança da
menina para renascer mulher.
Redefine-me.
O Sol acaricia a nudez
sincera dos lençóis.
(inspiro
expiro
inspiro
expiro
gemo
inspiro...)
Unos. Na rebentação
das ondas da explosão.
Tremo no teu corpo.
(inspiro,
expiro...)
Saboreio o silêncio adocicado
dos meus lábios rubros
perfumados de ti.
Confundo os meus braços
nos teus. Desenho o meu perfil
no teu peito. Repouso.
(fazes amor com as minhas mãos,
pintas o nosso amor nas nuvens,
no silêncio, nas árvores
com tons de sorriso
e orvalho)
Publicado por Fairy_morgaine em
10:40 PM
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dezembro 07, 2008
Criança muda
Os homens assumem a coragem
de se atirarem dos tectos onde consumiram
a pertinência dos dias.
Voam. Esborracham-se. Apenas porque
podem. O esguicho de sangue atinge
a criança muda que aguarda o autocarro.
Ergue o olhar agudo para a incompetência
do velho que varre a rua, cansado.
Cheira a sangue. Mas ela não se importa.
Conhece os homens e os seus suicídios
perpétuos. Sorri. O cheiro a sangue
acalma-lhe a alma.
Publicado por Fairy_morgaine em
07:24 PM
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dezembro 06, 2008
Imagino os dedos mágicos
Teço amor
porque é de amor que visto
os nossos corpos e a visão
serena das nossas almas.
Procuro-me na inquietude da noite,
na obscuridade da tua presença
saliente. Rebentas na linha
das ondas enraivecidas,
transtornadas com o beijo
quente da lua. No frio impassível
da noite. Imagino-te
os dedos mágicos e as pálpebras
quebradas em sonhos que irás
esquecer com o nascer da manhã.
Ouço a tua voz, rouca, a caverna
e o sol que imprimes nos dias
fugidios. Teço amor
porque é de amor
que visto as horas magras
em que os teus lábios
engolem o rio para chegar
até mim.
Publicado por Fairy_morgaine em
01:27 AM
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dezembro 02, 2008
Honestidade sincera
Queria poder pintar o céu de azuis mais claros
do que os actuais. Afastar o pó cinzento que cobre
os móveis irrespiráveis, no movimento imenso
da casa. O frio afasta as possibilidades.
Há uma honestidade sincera na mágoa.
Publicado por Fairy_morgaine em
01:56 AM
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