março 25, 2008
Eternidade
Nunca mais me percas...
Nunca. Mais.
Publicado por Fairy_morgaine em
10:51 PM
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março 15, 2008
Avalon
O vento mudou de direcção há muitas noites atrás.
Só eu mantenho a mesma falta de alicerces. O mundo girou e prosseguiu. Avalon ainda é na berma do mundo. Nas brumas que separam o real do imaginário. Avalon não prossegue. Não gira. Não é mais bela nem mais serena. É o reflexo de mim. Como sempre foi. Como continuará a ser para a eternidade.
Daqui a vinte anos sei que me olharei no espelho e continuarei absurdamente igual.
Daqui a vinte anos estarás casado. Terás filhos e cansaços. Terás memórias gastas e fotografias pendentes do teu colo. Daqui a vinte anos não saberás os meus caminhos, não saberás o tom da minha voz.
Não escreverei mais textos para ti. Não pronunciarei o teu nome no vazio da noite.
A força da vida impele-te a continuar.
Não há nesta história espaço para dúvidas ou incertezas.
O fim aguarda-nos, ansioso.
Publicado por Fairy_morgaine em
07:01 PM
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A promessa
- Sinto frio. O frio entrou na minha alma e alojou-se nos meus olhos. Sei que um dia amei. Sei que um dia abracei alguém e isso me fez sentido.
- Entendo.
- Não, não entendes. Há dentro de mim um vazio preenchido apenas por ele. E ele não vem, não me invade, não entra em mim, não me rasga.
- Porque não foges? Não partes?
- Ele sou eu. Eu, e o meu rosto cansado. Eu, reflectida no espelho magro. Compreende que há uma doença que me consome os dias e as noites e o tempo plácido. Compreende que ele me ofereceu uma ausência sincera e um corpo nu. Abracei-o, em tempos.
- E agora?
- Agora nada mais me resta que as cartas que lhe ofereço no silêncio vago dos meus sonhos. Eu sei, eu sei que se ele me permitisse deitar-me a seu lado ele estenderia os dedos, as mãos, os braços, seria meu, dar-se-ia no meu peito. Engoliria as lágrimas que semearam na cadência das minhas horas.
- E se ele não vier?
- Virá.
- …
- Ele prometeu e ele cumpre as suas promessas. Ele nunca faz promessas. Mas a mim faz. Promessas mudas.
- Estás sugestionada.
- Desculpa?
- Estás doente. A vossa relação é uma doença.
- Ele sempre esteve aqui. Faz parte de mim. Os olhos são meus mas a íris é dele. Não podes compreender porque na nossa relação tudo é demasiado nosso. Não há nada que te possa oferecer e que tu possas tornar teu.
- Doente talvez seja uma palavra muito forte… Mas não é normal.
- Não ambiciono a normalidade.
- Devias ter aceitado o que a vida te ofereceu. Podias ter sido feliz.
- Ele não estava. Não suporto quando ele não está.
- Diz-me que sou o teu sorriso…
- Sim…
- Um dia deixas-me dormir no teu peito?
- Um dia.
Escrito por Ela
Publicado por Fairy_morgaine em
12:01 AM
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março 14, 2008
Pensamento
- O que é o amor?
- É entrar no comboio e olhar para trás para ver o teu vulto partir.
Publicado por Fairy_morgaine em
12:24 AM
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março 04, 2008
Silêncio mudo
Ergui um espaço, um pedaço de tempo
entre o meu corpo e a tua lembrança,
que terminou em mim o que restava de ti.
Sei, de todas as vozes que se levantam no vento
que a tua mente já não é a tua mente
e que o teu semblante já não é o teu semblante.
Sei que o teu caminho já não te leva
aos becos que te ensinei a ultrapassar.
Sei, que de todas as vozes que ouço na noite
nenhuma será a tua, nenhuma jamais será a tua.
Devagar, tens rasgado toda e qualquer memória
que acalentasse no coração, tens quebrado todo
e qualquer sorriso que pudesse vestir quando o teu nome
surgia na janela. Devagar, tens tirado a máscara
com que aliciaste a remota inocência que me serviu de casulo.
Contigo, aprendi que amanhã tudo poderá ser mais negro
e mais irrecuperável do que hoje. Contigo, aprendi que
a lealdade e o honesto pensamento que alimentamos
no breu vestido são mentiras, são falácias
com que fingimos ser felizes.
Contigo, ultrapassei todas as barreiras,
feri todos os pedaços ainda imaculados de pele,
perdi todas as oportunidades, fechei portas e
apaguei poemas.
Poderia dizer-te que espero que rasgues os pés
no asfalto, poderia dizer-te tantas coisas e todas elas
seriam necessariamente verdade.
Mas há algo de tão perfeito neste silêncio mudo
com que brindo o teu cadáver, que o meus lábios negam-se
a proferir mais do um adeus sussurrado.
Publicado por Fairy_morgaine em
03:33 AM
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