fevereiro 28, 2008

Por favor, não digas nada.
Deixa que o silêncio venha e me cubra, me abra todas as feridas.

Por favor...
Não digas nada.

Publicado por Fairy_morgaine em 12:47 AM | Comentários (4)

fevereiro 26, 2008

Baú de memórias

Abro o baú das memórias.

Amo-te, sabias?

Não sei o que é o amor, estou cansada dos desvarios da mente.
Aqui, nascem e morrem todas as pombas brancas do teu telhado.

És complicada.
Gosto disso.

Não entendo as palavras que me depositam nos pés.
Não entendo mais que as mãos no meu rosto.

Que sabes tu de mim? Diz-me…

Pergunto-me que saberei eu de mim mesma, dos meus anseios e infelicidades. Do profundo sofrimento que alojei no peito.

Eu prometo, que se ficares a meu lado, amanhã tudo vai mudar.

Amanhã, o Sol nasce mais cedo? Achas que amanhã, o céu será subitamente lilás? Haverá uma imensidão de poemas a caírem das janelas, a semearem o chão cinzento de solidão.

Eu conheço-te, eu sei que sim. Se houve mulher que eu compreendi foste tu. Sei-te.

O que é o amor afinal? Explicas-me? Essa imensa piada cósmica, essa fatalidade histórica. Que procuro eu nos lábios que beijei? Em todos os braços em que dormi, o sono sobressaltado de pesadelos.

Quando dormes, gemes… Afliges-me.

Tive um pesadelo, no outro dia. Um homem corrompia outro e desnudava-lhe a natureza.

Tic-tac.

A vida não espera por mim. Sinto o corpo velho e manchado. O pecado escorre-me pelos olhos.

Tic-tac.
Podias ter sido feliz a meu lado, far-te-ia renascer, outra mulher, outra, completamente diferente, um rosto mudado.

Tenho medo. Medo desta habituação à noite e ao silêncio.

Escrevi um texto e ofereci-lho, mas ela nunca o leu porque já não se lembra da minha morada e do meu corpo.

Os olhos secaram-me e já não lamento os meus erros. Há em mim uma impetuosidade de errar novamente, de me lançar no abismo, de perpetuar o destino.

Quiseste fugir, quiseste entregar-te a outros homens que não sabem o que é o teu talento e a tua audácia de quebrares tudo o que é teu…

Entende, ao menos, que jamais me conheceste e que no meu seio moram todas as mulheres que fui ao longo da vida.

A puta… Controlou-o, largou-o na beira de uma estrada. Ela nunca o amou, nunca o quis, é uma caçada para ela, a puta…

Destruíste a minha vontade de amar.

Olho entediada para o baú que não me traz nada de novo. Sei todas estas frases de cor, sei todos os homens que fodi, sei todos os momentos em que escrevi o final desta estória.

Diz-me ao menos, que fui a melhor, que fui a única puta decente que deitaste na cama, que te rasguei até ao último pedaço, que destruí tudo o que querias alimentar no teu ser, que te desvirtuei todos os valores, que impedi todo e qualquer sorriso.

Ao menos, sabes do que falas?

Hoje, não me enroles nos teus fados, não me digas nem me ensines poemas, não me afastes do espelho fétido em que reflicto o meu rosto cansado.

Foda-se pah, tu sabes ao menos do que falas?

Chega aqui. Vês aquele rosto no espelho, vês as lágrimas ausentes e indubitáveis?
Chega aqui.

Não quero nada de ti. Só o teu seio molhado.

Devo dizer-te que é delicioso terminar a tua vida nesta linha.
Delicioso.
DELICIOSO.

Eu amo-te. Eu sei que nunca fui um homem decente, mas amo-te e quero que me deixes terminar a merda em que tornei a tua vida… Ao menos isso, num golpe final.

Se cruzares novamente o meu espaço, termino com toda a tua psique… E vai ser…delicioso…

Ao menos, diz-me que sabes do que falas…

Deita-te aqui comigo, cobre-me as incertezas e os esgares, morde-me os lábios, rasga-me por dentro mais do que já estou rasgada.
Termina com toda a poesia.
Agora.
AGORA.

Mas queres que te coma?

Não…

Um dia ainda hei-de cometer a imprudência de ser feliz.
F I M

Publicado por Fairy_morgaine em 11:08 PM | Comentários (2)

fevereiro 20, 2008

O teu sorriso, um lápis e uma folha

Guardo no meu peito o teu sorriso, um lápis e uma folha amarelecida pelo Outono.

Ontem fodeste mais uma. Sim, eu sei. Entrei no quarto de rompante, rasguei-te os olhos, feri-te a pele do rosto, bati com os punhos no teu corpo amargurado. Não... não entrei. Ontem, disseste-me que o erro perpetuado é apenas teu. E eu soube que era verdade e ofereci-te uma lágrima cristalizada. Imaginei uma e outra vez o momento em que entro no quarto e rompo o teu coração. Uma e outra vez. Again. And again... and again.
Um dia, disse-te eu, amei um homem e não foste tu. E tu olhaste-me cansado e suspiraste. As tuas mãos tremeram, quase me tocaram. "Fodi-a". Disseste-me. "Eu sei...". "Não significou nada. Nada significada nada para mim".
"Eu sei".
Imagino o momento em que me sento na cama e te corto o cabelo, te queimo as mãos perfeitas de pianista. Imagino uma e outra vez e odeio-te profundamente.
"Não ficas incomodado se alguém conspurcar a tua boneca de porcelana?"
":)". Podia envenenar-te aos poucos. Dilacerar a tua vontade de viver. Tirar-te a minha respiração e deixar a esperança morrer-te. Podia terminar o teu caminho erecto.
Podia abandonar-te para sempre e lançar-te às feras da tua alma. Podia deixar-te na solidão mais obscura que vive no teu ser.
"Não vou nunca tocar-te, minha boneca... Não posso."
Quem te disse que podias escolher o meu destino e o que julgas ser o caminho que devo trilhar? Eu... eu que me entreguei no teu colo, os cabelos a caírem-me nos ombros enquanto tu respiravas pela minha boca, respiravas o cheiro do meu cabelo, molhavas-me o colo de lágrimas, prendias o meu pulso ao teu.
"Nunca te irei destruir como me destruo, como as destruo, não vou foder-te e largar-te numa cama de olhos abertos crivados no tecto, os lábios entreabertos num grito mudo... Não vou vir-me em ti... Não vou deixar de te amar com a força que te amo neste momento..."
Ontem fodeste mais um pedaço da tua alma. Largaste-o no meu colo. "Guarda-ma. Vem cá..para o meu colo, abre-me o teu coração, deixa-me dormir em ti, deixa-me ser o vampiro que dorme no teu seio...".

Amanso as feras da tua alma e deito-me com elas. Durmo. Aguardo-te. Lá fora, fodes alguém. Sonho contigo. O momento que vais chegar e vais cobrir o meu rosto de beijos e me vais dizer que jamais me irás quebrar..

Guardo a tua alma dentro da minha para que não lhe inflijas um golpe fatal.

Publicado por Fairy_morgaine em 10:58 PM | Comentários (5)

fevereiro 10, 2008

Os erros

Devo dizer-te, embora baixinho, que ao menos eu assumo os meus erros e teço com eles pontes lilases que terminam no final do Espaço-Tempo, na casa de Deus.
Devo dizer-te, num último assomo de necessidade e obrigação que cumpriste todas as profecias que te lancei no dia da Promessa Final. Não eras mais, afinal, que um engano perfumado.
Devo dizer-te, também, que o interesse a beleza se medem na extensão do tempo que as mãos retiram do poço da juventude. Mãos que se encontram e se tocam, que se violam e se amam.
Os meus erros, sei-os eu e pinto-os e exponho-os e abraço-os, arranco-os do meu peito e cravo-os na terra queimada do meu corpo. Os meus erros, lamento se os sabes e se os contaste e viste que são muitos e são negros e são um buraco na minha alma.
Devo dizer-te, finalmente, que os meus erros são o que de mais belo tenho para oferecer quando nos lábios me secam todos os nomes que um dia aprendi a cantar.

Publicado por Fairy_morgaine em 12:38 AM | Comentários (13)

fevereiro 06, 2008

A realidade dos traços

Na realidade, eu não sinto saudades de ti e sim da sombra do que poderias ter cumprido no meu destino e não cumpriste.
Na realidade, eu nunca te amei. Amei uma miragem de um rosto que nunca foi o teu.

Na realidade, temo que jamais tenha visto os teus traços rudes que moldam os olhos que encaras no espelho.

Escrito por Ela

Publicado por Fairy_morgaine em 01:44 AM | Comentários (3)

fevereiro 01, 2008

Crónicas do Desespero

Espero que compreendas que estou saturada que me vendas teorias como se fossem verdades inabaláveis. Os teus caminhos já não me são sagrados, e o meu corpo já não te sabe.
Entende, ao menos, que no fundo já não preciso de ti. A Solidão que me roeu o corpo já é minha velha conhecida. Não há nada que me separe do Abismo. Nem tu, nem ninguém. Nem estas palavras gastas com que envolvo a escuridão.
Há muitos anos atrás tive uma irmã. Era bela e jovem e tinha os olhos enormes e avelã. Era deliciosamente imperfeita. Erguia-lhe um altar e oferecia-lhe palavras como quem oferece ouro. Ensinei-lhe onde se encontrava cada árvore, cada segredo do bosque infinito que é a minha alma. Compreende, que em tempos, tive uma irmã.
Quando chovia e a cor desaparecia do céu e dos telhados, eu pincelava quadros para a minha irmã e dizia “Não me importa que os rios sequem e os olhos mudem, porque a minha irmã estará sempre aqui e será sempre bela. Os seus braços serão eternos e neles poderei apagar as minhas lágrimas. Não me importa o destino nem a injustiça do tempo, porque ela estará sempre para apaziguar a minha dor”.
Compreende, que em tempos, tive alguém. E então o mundo mudou e ela partiu e nunca olhou para trás, para que o seu corpo nunca fosse Sal e as suas mãos nunca fossem folhas de Outono. Nesse dia eu soube que o Amor não é eterno e que o Tempo que chove em mim não é o Tempo do Mundo Novo.
O Tempo, aqui, não chove. O Tempo, aqui, desgoverna e leva as almas como um Rio implacável e muda tudo no seu caminho. Compreende, que em tempos, tive Esperança no Tempo e na Imensidão do sentir. Compreende, que em tempos, eu fui inocente.
Não há nada em mim, agora, que possa acreditar que o teu rosto estará para sempre no quadro da minha vida. Não há em mim, sequer, uma réstia da criança que fui.
Compreende, que já não posso mais lutar e gritar no silêncio que crias no meu coração. Já não há mais nada que ligue o meu olhar ao teu sofrimento.

No fim, eu sei que sofri muito mais do que tu e que tu nunca viste nem verás nem saberás nem metade do meu Inferno. No fim, eu sei que não és mais que um espectro egoísta que ficará enterrado no meu Passado e que eu abraçarei nos momentos de maior desespero. No fim, nada mais resta que os teus olhos e a promessa de um amanhã que nunca foi o que poderia ter sido.
No fim, só ficou o Vazio…

Publicado por Fairy_morgaine em 12:35 AM | Comentários (3)