junho 19, 2006
As leis absurdas da existência
Nos meus sonhos consigo voar e desafiar as leis absurdas da existência. Ouço nitidamente as vozes dos Anjos, dos Gnomos, das Fadas e das Pessoas. Ouço verdades que esqueço ao acordar.
Nos meus sonhos a minha vida e o meu suspiro são tudo o que liga ao mundo corpóreo. O resto são pétalas de rosa num vento onírico, num mundo sempre novo e sempre familiar.
Sonho-me. Sonho todos os outros que conheci e que deveria ter conhecido. Sonho este mundo e outro e outro e mais outro.
Falo. Danço. Enfrento-me.
Nos meus sonhos às vezes tenho medo de acordar.
Publicado por Fairy_morgaine em
02:30 PM
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junho 15, 2006
Sonho-me
Sonho-me para além de mim mesma.
Encontro-me nos meus sonhos,
nos sonhos dos outros, em todos os sonhos
sonhados na noite infinda.
Encontro-me nos meus sonhos e descubro
que aquela que sonho,
não sou eu.
Publicado por Fairy_morgaine em
09:13 PM
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junho 14, 2006
Na cidade onde cresci todos os dias escurece cedo demais
Cresci numa cidade singular
onde as pessoas crescem horizontalmente,
bebem cafés queimados sem açucar,
criam filhos pendurados nos braços cansados,
nas pernas quebradas.
Na cidade onde cresci,
as pessoas levantam-se cedo,
deitam-se tarde, perdem tempo,
rasgam o tempo, mastigam o tempo.
Não lhes sobra nada nos olhos desbotados.
Nessa cidade onde cresci,
as crianças brincam em espiral,
esquecem os sorrisos e os sonhos,
aninham-se dentro de si mesmas.
Na cidade onde cresci há um imenso
silêncio que pesa,
que angustia,
que esconde os segredos
das mães, dos sonhos e das crianças.
Na cidade onde cresci
todos os dias escurece cedo demais.
Publicado por Fairy_morgaine em
01:11 PM
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junho 12, 2006
As palavras que guardo desde menina
Desde menina que guardo
palavras. Em caixas, em garrafas,
nas páginas de livros vazios,
nos olhos de homens,
no regaço de mulheres,
nas mãos do poeta.
Desde menina que te guardo
em mim.
Publicado por Fairy_morgaine em
02:29 PM
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junho 03, 2006
Embora saiba que não me lês
Ao homem que não soube ser o homem que eu pensei que ele era:
Poderia dizer que te odeio, mas isso são sentimentos e palavras fortes que deixam marcas e cicatrizes para o futuro. Não, não te odeio.
Sinto pena de ti.
Do caminho que perdeste quando os nossos caminhos deixaram de ser apenas um.
Da carapaça que deixaste na berma desse caminho onde eu fiquei e mudei o
rumo e que apesar de tudo, era tão bonita e tão mais simples e perfeita que tu.
Dos sonhos que abandonaste em busca de um conforto que não encontrarás nos braços que pensas que são teus.
Do menino que cresceu e se tornou homem e é um homem demasiado deplorável para ter sido o menino que me olha do outro lado da fotografia perdida na minha memória.
Sinto pena...
De tudo o que podias ter sido e não foste e não és e que justificas dizendo: "sou assim porque já não estás aqui".
Publicado por Fairy_morgaine em
02:07 PM
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Os espaços
Pinto os espaços,
os pontos, os compassos.
Pinto-os de cinza, de cores
infindas,
de eterno lilás.
Pinto-os, apenas.
Os espaços que engolem
o meu espaço
e me deixam sem espaço
para ser eu.
Publicado por Fairy_morgaine em
01:54 PM
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