abril 26, 2006
Morte permanente
"Ouço uma música. Outra música. São sempre diferentes e sempre iguais.
São como tu. Omnipresente.
Tenho ouvido David Fonseca. Eu sei que tu não sabes, mas a voz dele é a tua voz cantada aos meus ouvidos.
A música que fica tatuada na pele.
Os teus braços e mãos estagnados nos braços velhos de um sofá. Um cigarro amarrotado na boca.
O teu cheiro.
Na vida ouvimos sempre as mesmas músicas. Eu. Ouço. Sempre.
Elas são como um rio que me traz o teu corpo moribundo. Lavas-te no meu sangue.
Renovas-te. Cresces em mim.
Partes. Assim. Sem mais palavras.
Porque os poemas que trazes nos bolsos nunca foram escritos para mim. As palavras e as mãos deste-as a um qualquer Coelho Branco que te aliciou a olhares-te longamente ao espelho.
Há quem diga que te apaixonaste pela tua imagem muda. Há ainda quem diga que te apaixonaste pela impossibilidade de te apaixonares.
Eu fico apenas junto do teu corpo a velar pela tua morte permanente. Não digo nada.
Nunca gostaste de palavras..."
Escrito por Ela
Publicado por Fairy_morgaine em
06:59 PM
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abril 22, 2006
Encontro
"Existem sombras na sombra da tua sombra.
Existem palavras não escritas nos teus dedos a sangrarem para o chão.
Existem encontros, caminhos e abraços que nunca mais vamos encontrar."
Escrito por Ela
Publicado por Fairy_morgaine em
12:07 PM
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abril 17, 2006
A inconsequência dos teus actos repetitivos
"Telefonei-te.
Mais uma vez, cega das (im)possibilidades.
Saber-te aí, num sítio qualquer, a beberes as tuas palavras, a embriagares-te de inutilidade, a tornares-te fútil, a arruinares o sentido das tuas memórias. Não aguento.
Não, não, não...
A repetição infantil dos meus próprios erros e fatalidades, puxar o teu nome da lista enquanto tento acalmar o corpo febril na cama vazia.
Trazer-te até mim.
Ouvir a tua voz embargada da emoção de seres tu, tão negro e errado e azul. E saberes que, aqui, eu me retorço na inevitabilidade da ressaca das tuas mãos na minha pele.
Dizer-te: diz que sou a pessoa mais importante da tua vida...
Ouvir-te suspirar, abatido pela força da ausência de outras palavras que não estas: claro que és...
Saber e ouvir no silêncio que me mentes com um sorriso escarninho nos lábios.
Desligar e morrer mais uma vez no calor da noite muda.
Escrever numa folha de papel estéril a verdade da tua ausência. Da ausência de verdade em ti.
Do teu rosto esquálido no líquido do espelho que te mostra a inconsequência dos teus actos repetitivos."
Escrito por Ela
Publicado por Fairy_morgaine em
06:42 PM
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abril 04, 2006
A tua serenidade monstruosa
Ela escreveu-lhe:
"Existem músicas que me lembram infinitamente da impossibilidade de ouvir a tua voz queimada pelo tempo.
O tempo que não perdoa quem dele bebe o electrão.
Existem momentos que me escondem e me levam de volta à posição fetal. Deitada, sonho contigo e com o teu espaço, a tua serenidade monstruosa, o frio azul das tuas mãos.
A artrite das tuas íris límpidas. Sinceras.
Por isso mesmo, escrevo-te.
Aprisiono-te no cair da noite escura. Prego as tuas mãos frias e azuis à fresta da minha janela. Impeço a lua de te beijar.
Quero os teus beijos com a sofreguidão infantil do cíume.
Engoliria o teu passado, o teu presente e futuro, o teu tempo. Engoliria as tuas palavras, as tuas vírgulas, o teu pensar.
Não seria mais que a tua imagem distorcida. Quando olhasses para mim irias, sem qualquer espanto, ver-te a ti.
Às tuas crenças. Às tuas mulheres. Às tuas impaciências.
Não te tendo, não tendo o teu tempo ou as tuas mãos para pregar na minha janela ergo um lamento, um muro de azuis e cinzas, aprisiono-te na palavra última do amor...
Quero-te com a fúria do Poema..."
Escrito por Ela
Publicado por Fairy_morgaine em
07:14 PM
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abril 03, 2006
Ela escreveu-lhe
Ela escreveu-lhe:
"Existem livros que só conseguiria ler contigo adormecido a meu lado, o cigarro ainda inacabado no cinzeiro a fumegar, a janela entreaberta e o luar a queimar a alvura da tua pele."
Escrito por Ela
Publicado por Fairy_morgaine em
06:54 PM
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abril 01, 2006
Estrelas
Sempre adorei música.
Não tenho um gosto muito particular. Ou terei um gosto muito particular por tudo o que sinto como melodioso e meu.
Sinto falta das palavras nas músicas que não as têem. Sinto-as como mais perto do silêncio. Às vezes ouço-as. Às vezes, sabe-me mesmo bem.
Mas na maioria das vezes ouço músicas com palavras. Às vezes atento nos poemas. Outras nem por isso.
Hoje acordei com esta música na cabeça e quis partilhá-la...
Sei que não é bem meu costume partilhar músicas no blog. Mas os gritos mudam e a alma cresce.
Por isso mesmo, hoje sinto-me à vontade para partilhar este verso convosco. Está-me no sangue e nas mãos... A gritar no meu silêncio.
E é maravilhoso.
"Do céu
Estão caindo as estrelas
Meu bem você precisa vê-las
Brilhar
Enquanto o sol se põe
O mar devagarinho
Vai vazando e a flor
Recebe um passarinho
E o meu amor
Não sabe ser sozinho
Cade você?...
Os olhos seus
Precisam ter carinho
Com as coisas que deus
Botou no seu caminho
Esses versos meus
As flores, os espinhos
Terra, fogo e ar
Os olhos seus
Precisam ter coragem
De olhar nos meus
Seguindo na viagem
A gente se dá bem
Brincando na paisagem
Entre o céu e o mar
Do céu
Estão caindo as estrelas
Meu bem você precisa vê-las
Brilhar"
letra e música de Tenison Del Rey / Carlos Neto
cantado por Daniela Mercury no álbum "Sou de qualquer lugar"
Caíram estrelas do meu céu, depositaram-se no meu regaço.
Espero que vocês também as vejam brilhar :)
Publicado por Fairy_morgaine em
10:03 AM
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