janeiro 30, 2006

Antevisão do Abismo de Ana

Venho apenas dizer-vos que assim que terminar a minha época de exames (está perto...) irei começar um novo projecto aqui no blog.
Irá chamar-se "O abismo de Ana" e estará dividido em várias partes.
Espero que gostem tanto da minha Ana como eu já gosto.
Até lá... Bem haja a todos.

Sílvia

Publicado por Fairy_morgaine em 11:47 AM | Comentários (19)

janeiro 25, 2006

As rainhas da noite

Percorro o quarto escuro.
Junto a mim jazem corpos de mulheres que fodeste ao longo da vida.
"Não importam. Não são nada para mim." - dizes-me tu.
Eu tento acreditar. Evito os corpos e as lembranças e o sonho quebrado que morre na cama lavada.
Sempre olhei para as pessoas com os olhos que olho para mim. Sempre me ouvi e me soube e assim tentava saber os outros.
Esse é o meu grande erro. O meu pecado.

Jazem os corpos de mulheres nuas e podres.
Vejo-as vezes sem fim a montarem-te, a serem montadas, a ganirem aos teus ouvidos.
Vejo-me a mim, pequena e feia e desajeitada, uma sombra apagada do glamour decadente das rainhas da noite.

Tento entender-te segundo os meus olhos e não entendo.
Tento desviar-me dos corpos mortos que jazem no chão do nosso quarto onde morre o sonho, mas tropeço neles e caio uma e outra vez e a porta parece cada vez mais longe.
E mais distorcida.

Queimo-me em lágrimas e angústia e medo e vergonha e cubro-me e não quero jamais que me vejas nua.
Jamais.
O som abafado das minhas lágrimas a rasgarem a penugem imperceptível da minha pele toldam-me os sentidos.
Deixo de ouvir a tua voz a explicar-me pela milionésima vez que sou a fada que salvou a tua alma de cair no abismo.
Deixo de te ouvir.

Queria apenas que tirasses estes corpos fétidos do nosso quarto.

Publicado por Fairy_morgaine em 11:01 AM | Comentários (18)

janeiro 20, 2006

Encontro

Ensinaram-me o silêncio à nascença.
Disseram-me baixinho ao ouvido: "se ouvires o silêncio encontrarás a verdade".
E eu... acreditei.
Sabia-te escondido dentro do lilás do silêncio.
Procurava-te em noites de insónia.
Disseram-me no dia da menarca que te encontraria e te amaria infinitamente.
E eu... soube ser verdade.
Um dia vi-te. Bebias silêncio no café do bairro.
Bebias e olhavas-me num lilás silencioso.
Procuraste onde eu nunca te procurei. Dentro de mim. Fora do silêncio.
Dentro do silencioso espaço do meu coração.
E ele gritou.
Um grito de dor. De amor. De imenso lilás.
E eu... amei-te.

Publicado por Fairy_morgaine em 03:31 PM | Comentários (10)

janeiro 17, 2006

Agradecimento e uma promessa

Ofereceram-me uma homenagem. Ofereceram-me um comentário, um elogio, um texto, um abraço, um carinho que mesmo sendo virtual é tão quente.
Ofereceram-me uma palavra e, como palavra que é, ofereceram-me algo sem preço.
E eu agradeço-te, Humberto, e aos Anjos e seu Domínio.
Agradeço-te muito.
E a todos que me lêem. E me acarinham. Porque o carinho não tem preço.

Peço desculpa se tenho estado ausente mas os exames de faculdade roubam-me o tempo e a poesia.
Irei deixando o que a inspiração ditar e quando tiver mais tempo irei visitar todos, é uma promessa de fada.

Publicado por Fairy_morgaine em 10:41 AM | Comentários (7)

janeiro 11, 2006

Grito último

Tenho o ventre cheio de palavras.
Não se expelem, as malditas!
Enchem-me de sons e becos
que sei, amor, nada dizem.
Nada para além do indizível.

Embalo-te num afago e sei
que a tua dor foi e é e será
a minha.
Afinal... estamos juntos no
abismo da vida.
Afinal só tu poderias entender
o beijo que não sei beijar nas palavras.

Só tu poderias carregar a minha
dor contigo. Nos teus genes.
Na tua incapacidade de ser.
Na tua imperfeição tão perfeita,
meu amor. Tão...
perfeita.

Fogem-me as palavras
no grito último.
Repouso no teu colo
e beijo-te os dedos, faminta.
Só tu meu amor.
Só tu.

Publicado por Fairy_morgaine em 01:50 PM | Comentários (17)