junho 16, 2005

Ponto de interrogação

- Não percebo as tuas atitudes infantis, a tua forma de enganares o tempo e fingires que tudo está bem, mesmo quando sabes que o mundo desmorona à tua volta.
- Sabes que apago as pegadas da noite.
- Sei... mas não compreendo. Não compreendo as tuas mãos a tapar os ouvidos para não ouvires mais a voz dela a rebentar-te os tímpanos.
- O que eu fui, já não sou.
- Ainda assim, sou eu que tenho de quebrar as barreiras que tu impuseste por sempre te teres aberto às mulheres erradas.
- Nunca soube amar.
- Nunca soubeste.
- Não conheço as mulheres.
- Não sei dos homens.
- Toca-me...
- Toco-te.
- Preciso esconder-me de ti. Amo-te demasiado.
- Não existem demasiados no amor.
- Existem sim... Tudo na vida precisa de barreiras, limites, abismos...
- Porquê?
- Porque fazes tantas perguntas?
- Eu sou ponto de interrogação do Universo.
- Tu és... Amo-te... Deixa-me ficar aqui no teu colo para sempre... Não conheço este sabor da tua pele.
- Saboreia-me...

A noite lá fora, brisa suave, músicas de ninar e eu aqui, aqui perdida em ti.

Publicado por Fairy_morgaine em 03:34 PM | Comentários (34)

junho 13, 2005

Poeta

Poeta é aquele que vivencia as experiências dos outros na sua alma e as transforma em sentimentos que apenas o seu coração consegue expressar.

Publicado por Fairy_morgaine em 05:19 PM | Comentários (10)

junho 04, 2005

Preciso-te

Pudesses tu sonhar meus sonhos, dar os meus passos, sorrir meus sorrisos, e saberias de forma inconfessável que minh'alma sussurra deitada junto ao abismo que é o mar do Silêncio. Sussurra poemas pálidos, nas mãos uma rosa esmagada, nos lábios um vermelho sangue intenso.
As pernas ligeiramente abertas, o sexo exposto. O sexo a latejar.
Pudesses tu compreender meus anseios e possuirias-me de forma quase animal, cada vez mais rápido e mais intenso, o teu falo a romper-me o corpo, a rasgar-me o ventre, a saborear-me a carne.
Pudesses tu conhecer meus medos e aprenderias a embalar o meu corpo inerte.
Preciso-te.

Penetras-me num misto de necessidade e dor. Penetras-me loucamente, sussurras-me ao ouvido mil e uma promessas (não sabes ainda que as promessas existem para se quebrarem), mordes-me os ombros, afundas a tua mão nos meus cabelos.
Vens-te dentro de mim, fecundas-me de certezas que desaparecerão ao amanhecer, certezas rubras de amor.

Preciso-te.

Publicado por Fairy_morgaine em 01:41 PM | Comentários (26)