maio 30, 2005

Dove e a campanha "Por uma beleza real"

Hoje ao ler uma revista lembrei-me finalmente (embora o tivesse já pensado várias vezes) de visitar o site da Dove "Campanha por beleza real". Essa visita fez-me reflectir. Reflectir sobre a minha relação comigo mesma, com a beleza em si, com os padrões na sociedade.
Assim sendo, resolvi pensar no que é a beleza para mim.
E conclui que...

A beleza é o conjunto de características, interiores ou exteriores que nos tornam únicos.
É um sorriso amplo. É uma mão aberta. São dois olhos marejados de lágrimas. São os nossos pés nus na água do mar.
A beleza é poesia em movimento.
São dois seres humanos completamente comuns a beijarem-se numa noite de Verão.

Para mim a beleza é isto tudo. E para ti? Podes dizer-me? :)

Publicado por Fairy_morgaine em 03:47 PM | Comentários (19)

maio 27, 2005

Estrelas

Existem caminhos trilhados, pisados, engolidos.
Existem até mesmo pedaços de nada que ficaram pendurados entre nós e foram mais tarde usurpados pelos filhos que um dia teremos.
Eles dizem, e têm razão, que são tudo o que resta no final.
Os filhos são sonhos que o Universo sonhou, são um resto de caminho que ficou por trilhar.
E no entanto, são tão seus e tão pouco nossos.
Temos filhos para o Mundo, dizia o outro.
Eu digo que temos filhos para o Passado. Para corrigirem os nossos erros, para sorrirem os nossos sorrisos, para chorarem as nossas lágrimas. Ou então, para terem outros filhos e esperarem inocentemente que eles sorriam os seus sorrisos.
Eu digo que o Passado é tão só o nosso Futuro. Um imenso repetir de erros e mais erros, até que o final seja o esperado. Até que o erro cesse e o corpo caia no abismo do esquecimento.
Porque parar é morrer, dizia o outro.
Eu digo que parar é viver a vida do vizinho, é assistir à telenovela da noite e sonhar os sonhos dos personagens, é esquecer o homem que dorme a nosso lado, é deixá-lo desejar as outras e não a mulher que repousa e sonha. E sonha com ele, ou com outro, e ele sonha também e esquecem-se da presença escolhida.
Da presença que um dia quiseram fosse para sempre.
Assim morrem as relações. Perdidas no imenso esquecer do amor.

Mas eu não esqueço. Porque és tu que povoas que os meus sonhos, porque é a ti que encho de beijos quando te ausentas, é o teu corpo, os teus braços, a tua pele que acaricio quando não estás.
E as tuas ausências, amor, semeiam-se-me nos olhos, crescem-me nos ossos, deitam-se na nossa cama. Anseio-te. Anseio-te até à loucura, e penso-te, penso-te, imagino-te aqui, deitado a meu lado a dormir, a sonhar sonhos que nem imagino nem sei.

Se sonhasses, amor, a ânsia que tenho de ser o teu sonho. De ser o teu início e o teu fim. Se pudesse inverter o caminho do Tempo, o passar surdo dos dias, o correr lento das horas, iria resgar-te nos teus caminhos, embalaria o teu ser no meu regaço e estaria sempre, sempre envolvida em ti.

Fico a imaginar as horas pesadas em que não estás. Fico a imaginar os labirintos da tua mente. Fico a imaginar todos os pedaços de ti que me escondes.
Fico a imaginar-te. O todo. Os retalhos mais recôntidos. Os pesadelos mais obtusos.
Fico a imaginar-te.
Quando sonhas. Quando te contorces na cama, quando foges dos teus monstros particulares. Quando percorres espaços em que eu não estou.

Os nossos filhos nunca serão um fim neles mesmos e sim um continuar perpétuo do amor que depositei em ti e vejo florescer.
Eles serão estrelas a iluminar o espaço-tempo que somos nós, o sistema-solar que cresce nos nossos peitos e culmina no crescer de vida que iremos ver amadurecer.

Entendes, amor, que o amanhã começa mais cedo?

Publicado por Fairy_morgaine em 11:20 PM | Comentários (11)

maio 23, 2005

Passado revisitado

É assustador pensar que um dia fui tua.

Publicado por Fairy_morgaine em 02:50 PM | Comentários (39)

maio 18, 2005

Demanda

Onde te vi, não sei.
Sei apenas que agora resta um silêncio imenso onde antes reinava um Sol, O Sol.
Onde te deixei... não me perguntes.
Sei apenas que agora estou aqui, sozinha. Não quero sequer que venhas.

Onde estás tu, pergunto-te... Pergunto-me também onde começou a demanda louca pelo amor... Onde o engano... Onde o degredo imenso que se abateu na minha vida.

Onde estás tu?


A fada deita-se suavemente numa cama de pétalas azuis e repousa... Acabou aqui o sonho que nunca o foi.

Publicado por Fairy_morgaine em 08:57 PM | Comentários (28)

maio 16, 2005

O sonho proibido

Gostava de poder dizer-te que lamento.
Gostava de poder dizer-te que, lá longe, noutra vida noutro mundo terminámos a vida a olhar-nos calmamente.
Gostava também de ver os teus olhos e perguntar-te qual foi o pensamento quando deitaste a tua vida no abismo.
Gostava de explicar-te que sei que o teu precipício começou pela ausência do sonho que um dia ousaste sonhar.

Publicado por Fairy_morgaine em 07:11 PM | Comentários (22)

maio 11, 2005

Sol de Ícaro

Sinto-me vergada ao silêncio.
Sinto-me vergada.
Existem entre nós corpos rasgados
de impaciência,
de nojo,
traição infame.
Existem entre nós... corpos.

Gostava de não saber o que
vive no Sol de Ícaro.
Gostava de apagar de mim
a Deusa imensa e branca.
Gostava de agarrar
a minha inocência.

Gostava por um momento
de ser Eu.
Gostava ainda de sonhar.

O meu Sol de Ícaro
és tu.

Publicado por Fairy_morgaine em 08:16 PM | Comentários (16)

maio 10, 2005

A lua vai alta

São palavras os beijos que te quero dar.
Inebriadas de amor e confusão.
Confusão própria de quem não sabe o que é
ser dois e ser um. Confusão de amar.

São palavras os afagos com que te embalo
as noites mal dormidas.
Os sonhos apagados.
Os olhos fechados a tremerem.

São palavras que semeio entre nós
quando me entrego totalmente
e esquecemos o mundo lá fora.

São palavras que deixo a teus pés
quando me afasto e percorro os meus próprios
caminhos.

São palavras que uso para aceder
à tua mente, ao teu mundo, ao teu espaço.


De noite, entrego-me por completo. Dispo-me de preconceitos e inseguranças e sou tua. Nessas noites, não existem palavras. Simplesmente, não existe nada para além do teu sorriso, para além dos teus sons, do teu perfume, da tua existência que me enlouquece.
De noite, não existem palavras.
Não existe mais ninguém para além de nós dois, dos nossos lençóis, a nossa cama, o nosso espaço.
De noite, sinto-te vaguear pelo quarto.
Ouço os teus passos inquietos e sei, eu sei, que na tua alma se revolve uma bola imensa, um vazio, um negrume que afastaste por mim. E que eu engoli para ti.

A lua já vai alta e o teu sono não vem.
Amanhã falaremos palavras sem sentido que não poderão dar cor às nossas noites.
Porque o amor, querido, não se canta.

Publicado por Fairy_morgaine em 11:03 AM | Comentários (17)