novembro 29, 2004
Sem palavras - parte II
Deitas-te no meu peito e murmuro-te: "não tenho tempo para ter tempo para ti".
Sorrio-te. Olhas-me com os olhos leitosos de desejo. Sobes-me a camisola. Beijas-me o pescoço. Mais abaixo.
"Sabes.. na verdade eu nem tenho tempo para ser feliz".
Lambes-me os mamilos devagar. Suspiro.
"Ouves o que te digo?" - outro suspiro.
"Hmm? Hmm hmm." - entretens-te com o outro mamilo.
"Não estás a perceber... O tempo escorre-me pelas mãos, deposita-se no regaço e eu não consigo.. eu não consigo zangar-me nem colar os bocados da nossa relação."
"Eu sei" - deslizas a mão por dentro do meu pijama.
Subo-te a mão... "É ridículo pensar que o pouco tempo que tenho para amar seja gasto nos corredores do centro comercial, do hipermercado, da biblioteca fedorenta (já te disse que não gosto nada do cheiro intenso a papel velho?)... Eu gasto as minhas mãos em peles que não as tuas".
"Eu não me importo. Eu sei que tens obrigações, tarefas... eu sei isso tudo" - deslizas a mão de novo.
"Mas eu importo-me... Eu queria reservar o pouco tempo que temos para te amar, para conversar, para dizer todas aquelas coisas que precisam ser ditas e me inundam os olhos de cinza."
Beijas-me o rosto, os lábios.
"Já te disse que sou viciado nos teus lábios?"
"E se tudo acabar, já pensaste? Se um dia formos autómatos a correr pelos corredores da biblioteca fedorenta? E se a inspiração me desaparecer, se jamais escrever poemas????"
"Tenho cíumes dos teus poemas. Sei que dormes com eles, que acordas com eles... às vezes nem me sentes deitado a teu lado. A poesia rouba-te todo o tempo que te resta."
"Porque nunca me dizes as palavras que espero que digas?"
"Não sei amar por palavras."
"Eu só sei amar por palavras. Com tempo."
"Eu não preciso de tempo. Preciso de ti."
A tua mão no meu sexo. Eu a latejar. A suspirar baixinho de encontro ao teu ouvido.
Rendo-me. Em silêncio.
Sem palavras.
Publicado por Fairy_morgaine em
05:05 PM
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Comentários (16)
novembro 28, 2004
Agradecimentos
Queria agradecer a todos os que me enviaram poemas via e-mail ou pelo sistema de comentários...
Infelizmente estou com falta de tempo (esse mesmo que nos escorre pelos dedos) e para além de não conseguir escrever não tenho conseguido responder aos e-mails com a celeridade que queria nem com a profundidade que eles merecem.
Para além disso estou ausente dos vossos blogs que tento amo :(
Peço desculpa a todos... Assim que me livrar das obrigações e me puder dedicar ao prazer de vos ler e de vos escrever prometo que o farei...
Sempre vossa
Sílvia
Publicado por Fairy_morgaine em
02:41 PM
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Comentários (6)
novembro 24, 2004
Pedido aos leitores/amigos ;)
Como podem ver pelo post anterior estou numa fase de interagir mais com as pessoas que me lêem e comentam :)
Queria pedir-vos algo, em tom de desafio.
Tenho aqui em casa um caderno lindo que comprei já há algum tempo e só agora me resolvi a inaugurá-lo. Vai andar comigo no metro...na rua...em todo o lado. Assim, sempre que sentir inspiração ou simplesmente vontade de escrever qualquer coisa (não é bem igual) poderei fazê-lo, esteja onde estiver.
A minha primeira ideia foi escolher alguns versos dos meus poetas favoritos para ilustrar as partes internas das capas... Depois pensei melhor.. e resolvi pedir-vos (a quem tiver paciência, claro) que escrevessem uns versos dos vossos poetas favoritos e me enviassem pelo sistema de comentários ou para o meu mail.
Dessa forma só fico a ganhar.. Poderei ficar a conhecer-vos melhor e certamente conhecerei novos poetas o que só me irá enriquecer.
Agradeço desde já a quem resolver "colaborar" neste pedido.
Beijinhos a todos...
PS - O meu mail, para quem ainda não sabe, é fairy_morgaine@netcabo.pt
Publicado por Fairy_morgaine em
10:20 PM
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Comentários (16)
As respostas
Ardente_Mente
"não é necessário mostrar...
se ela cresce natural
basta um atento olhar
olhos nos olhos, sorriso contra sorriso
ela cresce natural
em mim, em ti, nos outros
suficiente a cumplicidade
se ela é natural
num espelho, num reflexo dentro dos olhos
numa imagem fixa no corpo
não é necessário mostrar
suficiente um olhar
para a sentir num estremecimento"
Carlos Jorge
"A sensualidade não se mostra...sente-se percepciona-se...não a temos apenas a transmitimos!"
Ebola
"A sensualidade, tal como a beleza, está nos olhos de quem vê..."
Ninagasol
"Sensualidade existe quando, o amor que temos para dar, sai por todos os nossos poros, num gesto de oferta invisível."
Borboleta_azul
"A sensualidade, faz parte de cada um de nós... e não está visivél a olho nú, isto pk precisamos mais do que ver, mais do que olhar, para constactá-la bem na frente dos nossos olhos.
Pode-se dizer que ela se sente!"
Ana
"Sensualidade, s.f qualidade do que é sensual; lubricidade; volupia; luxuria (Lat. sensualitate)"
MAD
"Muitos a conhecem mas lamentavelmente poucos sabem usá-la."
Black Rose
"sensual..sensualidade...não sei... diz me o que é..dizes?*"
LetrasAoAcaso
"Sei-te sensorial.
Da suspensão sensórias descortinarás a sensualidade."
Carlos Branco
"Inspirando as sensações que temos dentro e expirando os sentimentos através dos sentidos, daquela forma quente, num presente de novidade que não se gasta e que de nós sai independentemente de querermos ou não mostrar esta sensualidade nossa que se gosta, que nos leva e que nos vai..."
Contador De Histórias
"Sentes esse calor? Sentes? Sentes quando os teus lábios ficam quentes e húmidos no roçar de outra boca,sentes? Sentes quando a tua pele se torna em alvoroço, quando a tua respiração se transforma num corpo maior que o teu sentes? Sentes aquele olhar na forma de um rosto, nuns dedos que parecem tocar a música que queres ouvir num piano imaginário, sentes?
Sensualidade, não faço ideia do que queira dizer..."
mauro_mars
"Acho que a definição dessa palavra é mt subjectiva, pois depende de quem sente."
Selma
"Cheiros, sabores, palavras, toques, formas de andar, olhares...quase tudo pode ser transformado num gesto de sensualidade..."
Obrigada a todos
Publicado por Fairy_morgaine em
06:18 PM
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Comentários (1)
As respostas
Ardente_Mente
"não é necessário mostrar...
se ela cresce natural
basta um atento olhar
olhos nos olhos, sorriso contra sorriso
ela cresce natural
em mim, em ti, nos outros
suficiente a cumplicidade
se ela é natural
num espelho, num reflexo dentro dos olhos
numa imagem fixa no corpo
não é necessário mostrar
suficiente um olhar
para a sentir num estremecimento"
Carlos Jorge
"A sensualidade não se mostra...sente-se percepciona-se...não a temos apenas a transmitimos!"
Ebola
"A sensualidade, tal como a beleza, está nos olhos de quem vê..."
Ninagasol
"Sensualidade existe quando, o amor que temos para dar, sai por todos os nossos poros, num gesto de oferta invisível."
Borboleta_azul
"A sensualidade, faz parte de cada um de nós... e não está visivél a olho nú, isto pk precisamos mais do que ver, mais do que olhar, para constactá-la bem na frente dos nossos olhos.
Pode-se dizer que ela se sente!"
Ana
"Sensualidade, s.f qualidade do que é sensual; lubricidade; volupia; luxuria (Lat. sensualitate)"
MAD
"Muitos a conhecem mas lamentavelmente poucos sabem usá-la."
Black Rose
"sensual..sensualidade...não sei... diz me o que é..dizes?*"
LetrasAoAcaso
"Sei-te sensorial.
Da suspensão sensórias descortinarás a sensualidade."
Carlos Branco
"Inspirando as sensações que temos dentro e expirando os sentimentos através dos sentidos, daquela forma quente, num presente de novidade que não se gasta e que de nós sai independentemente de querermos ou não mostrar esta sensualidade nossa que se gosta, que nos leva e que nos vai..."
Contador De Histórias
"Sentes esse calor? Sentes? Sentes quando os teus lábios ficam quentes e húmidos no roçar de outra boca,sentes? Sentes quando a tua pele se torna em alvoroço, quando a tua respiração se transforma num corpo maior que o teu sentes? Sentes aquele olhar na forma de um rosto, nuns dedos que parecem tocar a música que queres ouvir num piano imaginário, sentes?
Sensualidade, não faço ideia do que queira dizer..."
mauro_mars
"Acho que a definição dessa palavra é mt subjectiva, pois depende de quem sente."
Selma
"Cheiros, sabores, palavras, toques, formas de andar, olhares...quase tudo pode ser transformado num gesto de sensualidade..."
Obrigada a todos
Publicado por Fairy_morgaine em
06:16 PM
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Comentários (2)
novembro 23, 2004
Dúvida
Que palavra é essa, sensualidade?
Mostras-me?
Publicado por Fairy_morgaine em
11:46 AM
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Comentários (18)
novembro 21, 2004
O homem das asas de corvo
Espero que a escrita flua apenas para enganar o cansaço.
Enganar as minhas mãos vazias. Frias. Nuas.
Enganá-las, somente.
Hoje não estás aqui. Nunca estás aqui de verdade.
Há no meio dos nossos beijos um imenso abismo de dinheiro e passos trocados.
Podia abrir a porta e correr. Correr pelo espaço, louca. Louca por um fim a esta dor lacinante que me mostra dia após dia que o fim está mesmo ali ao virar da esquina.
Conheces a palavra fim?
FIM.
É pequena como eu. Deitada sobre si mesma como eu.
Rebolo na cama de manhã, assustada com o tamanho enorme do colchão.
Assusto-me facilmente.
Queria acordar e ter a meu lado um homem forte, de olhos negros e asas de corvo nas costas. Queria que ele me subjugasse e me fodesse até só sobrar esperma e baba na cama.
Ao invés desse homem grande, imenso, forte, teso, encontro um vazio por preencher.
Eu perdida nesse enorme vazio. Sem saber o que dizer a mim mesma para justificar as tuas ausências.
Hoje escrevo para enganar as minhas mãos.
E a mim. E a ti.
Um engano amargo... Até chegar a palavra.
FIM... F...I...M.
Publicado por Fairy_morgaine em
01:17 PM
|
Comentários (16)
novembro 17, 2004
Sonhos sem sonhador
Sempre pensaste que te dediquei poemas aqui está um para ti.
Parto a vida em redor de mim!
Não quero ser perfeita,
nem escritora,
nem pseudo-inteligente,
nem verdadeiramente inteligente,
nem estupidamente inteligente
ou inteligentemente estúpida!
Eu só quero ser eu.
Só quero escrever "Eu" e saber
que merda é essa.
Eu só quero que me leiam e me
sintam.
Eu não quero
nem nunca quis que
me compreendessem.
Só que me amassem
consoante me tocam.
E quando me tocassem
o fizessem sem limites, nem
restrições.
Orgasmos na ponta dos dedos.
Eu nunca quis ser poeta,
nem escritora, nem coisa nenhuma
para além do imenso nada que é tudo
em mim.
Eu nunca mas NUNCA quis ser mais
do que poderia ser se os meus olhos
fossem duas pérolas
dois sorrisos perdidos.
Eu nem sequer quero ouvir
a minha voz a ler o que escrevo.
Eu não me leio para as paredes
porque as paredes são o meu sufoco
e o meu amparo.
Eu sou a ausência
das minhas próprias palavras.
Não vês que vivo nelas?
Não vês que apenas sinto por elas?
Não vês que as respiro,
as mastigo, as atiro para fora
num gesto que me rasga por dentro?
Não quero aplausos.
Não quero que me digam "entendo-te".
Quero apenas "amo-te".
Se não me podem amar não
me toquem, não me
aqueçam no calor de uma chama
inexistente.
Não quero nem quis
sombras de mim mesma.
Quero um painel de cores
com todas as tonalidades dos olhos de deus.
Eu quero...
Eu sou.
São as únicas dimensões
que conheço na escrita.
Porque não posso ser outra
que não eu.
Não me posso inventar nem
redefinir.
Não me posso apaixonar sem
ser com o meu coração.
Nem tocar sem ser com os meus dedos.
Por isso não me digas
que esperas de mim outra coisa qualquer
que não sentimento puro, essência
da minh'alma.
Não me digas que te desiludo,
que sou a expectativa
que morreu sem sequer nascer.
Não me digas palavras.
Eu serei sempre opostos, extremos,
pontas perdidas,
sonhos sem sonhador.
Sabes isso?
Não?
Eu também não.
Por isso me relembro nas palavras.
Publicado por Fairy_morgaine em
12:31 AM
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Comentários (30)
novembro 13, 2004
Mad world
Li aquelas palavras, aqueles risos.
Li e senti-me encolher pequenina... pequenina.
Queria gritar que não é assim, não é.
Mas invés disso sinto uma dor no peito a crescer,
a crescer, a inundar-me.
A sentir-me pequenina.
"Mãe o doutor não vai fazer doer pois não?
Pois não, Mãe? Pois não?
Mas Mãe... Eu não quero que ele me veja assim,
nua, desprotegida, não quero
que ele me veja onde mais ninguém me vê
a não ser quem amo.
Mas Mãe eu queria ser uma menina normal...
Mas Mãe..."
Ouves-me Mãe?
Deixo que as lágrimas inundem os meus olhos
até ouvir as íris silencarem-se perante
a imensidão da minha dor...
E sinto-me tão pequenina.
Eu sei, eu sei que não devia doer assim.
Não por causa de uma piada...
Mas... dói.
"Mas mãe porque fazem os meninos
anedotas da dor dos outros?
Porquê mãe?"
Ouves-me?
E eles riem. Eles aplaudem.
Sinto-me pequenina, sozinha neste mundo
meu. De homens de batas brancas a
corromperem-me. Devagar.
"Mãe... Eu sei que é para me curar de um dói-dói,
mas mãe... Ficas comigo? Ficas aqui a agarrar-me a mão?"
Essas palavras que ninguém ouve
são a base das suas anedotas.
Esses sorrisos pintados de lágrimas
que ninguém vê.
Esses arranques de dor no meu ventre.
A expulsar uma negação de Vida.
Ouves-me?
Eu não sei gritar que não se fazem piadas
com a dor dos outros. Com a amargura.
Com a anormalidade do ser.
Eu não sei.
Eu só sei gritar palavras ocas num papel...
É lá que ecoam todas as minhas palavras.
Todas as minhas palavras.
As minhas palavras...
As minhas.
"E elas abrem as pernas e dizem... olhe tá a ver aqui xôr dotôr?"
E as pessoas riem-se.
E eu encolho-me.
Eu encolho-me.
Sabes o que é um mundo de inversão num corredor
branco?
Sabes o que o mundo a girar no teu ventre?
Sabes o que é... O mundo somente girar?
Sou tão pequenina... Pequenina, agarro-te na mão e murmuro baixinho...
"Mãe... e se doer tu fazes a dor ir embora?
Mãe... apagas de mim estas lágrimas? Esta mágoa...?
Mãe... apagas de mim estes poemas?
Mãe, dás-me outras palavras?
Outros poemas?
Oh Mãe... não me deixes aqui sozinha.
Não me deixes aqui, aberta, exposta, minha Mãe".
"Mãe.. porque é que os homens se riem
quando outro cai? Mãe... porque é que os homens se riem
quando alguém tropeça?
Mãe... explica-me.
Explicas?"
E fico ali. A inverter o mundo nas mãos.
A incompreender as pessoas.
Se eu pudesse.
Se eu pudesse explicar. Se eu soubesse
gritar.
Apagas de mim esta imensidão de sal
cravado no meu rosto?
E eu choro.
Por mim. Pela minha privacidade violada.
Pelos homens que tropeçam e caem.
Pelos homens que se riem.
Pelos que aplaudem.
Pelos que são meninos encolhidos
no colo das suas mães.
Vem a música e lava-me numa corrente de água.
Numa corrente de sons lentos e sinto a mão.
A mão que afaga o cabelo.
O sorriso que diz...
"Já passou, filha... Já passou.
Estou aqui."
E a dor devagarinho transforma-se num lago,
num lago...de braços a estreitarem-me o corpo.
De dedos no meu cabelo.
A música que me fecha as feridas de novo.
"All around me are familiar faces (...)
going nowhere, going nowhere
Their tears are filling up their glasses
no expression, no expression
Hide my head I want to drown my sorrows
no tomorrow, no tomorrow
And I find it kind of funny, I find it kind of sad
these dreams in which I'm dying are the best I've ever had
I find it hard to tell you, I find it hard to take
when people run in circles it's a very very
Mad World, Mad World"
"Mad World" - Michael Andrews by Gary Jules, Donnie Darko soundtrack
Publicado por Fairy_morgaine em
11:41 AM
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Comentários (22)
novembro 11, 2004
Convite
A poesia é como se deus subitamente nos batesse à porta e nos convidasse para tomar um chá.
Publicado por Fairy_morgaine em
12:18 AM
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Comentários (21)
novembro 08, 2004
Camaleão
Estou à espera.
À espera da palavra certa.
Do beijo certo.
Do abraço.
Do sorriso.
Do atravessar uma espada pela alma.
A capela onde duas virgens dançam
é o refúgio dos meus olhos cansados.
Sou um camaleão.
Um furacão disfarçado de brisa.
Estou à espera.
De ti.
Como um camaleão que dormita na
capela.
Espero-te.
(quando chegas?)
Publicado por Fairy_morgaine em
11:22 PM
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Comentários (18)
novembro 04, 2004
Cause you're the storm that I believe in
Vai sair, claro - disse-me ele enquanto eu ainda sentia a cabeça a ferver de febre e de ideias prestes a serem deitadas para fora (e ainda imaturas) - Podes pôr a política pelo meio.
E eu penso ainda meia febril - nem pelo meio e nem no fim... A política fede.
A política e as eleições supostamente justas...
As ideias circulam a uma velocidade alucinante na minha cabeça, saem-me pela garganta arranhada.
Cuspo-as no teclado, mas já não posso fazer mais nada. São ocas. São... ideias sem cabeça para as pensar.
Penso-te aí, preso no teu mundo, a estenderes-me as mãos sujas de tinta, tinta de jornais, de livros, de sorrisos plásticos e sem sentido.
Penso-te aí e simultaneamente aqui a segurares-me pela cintura, a sussurrares-me ao ouvido "as mulheres inteligentes querem ser fodidas por homens ainda mais inteligentes...". A lamberes-me o pescoço, a cravares-me os dentes na carne.
Vai sair, claro... Claro que vou escrever qualquer coisa inútil apenas para sentir que os meus dedos ainda sabem as letras que compõe uma palavra, uma frase inacabada presa nos meus cabelos.
Quando não sou a minha heroína, és tu que me levas os dedos a compôr. Mas tu sabes isso. Tu sabes sempre o que me escondes.
Ouço a voz da Nina Persson a cantar "cause you're the storm that I believed in" e sorrio. És realmente a tempestade que me faz dançar na chuva. A paixão crescente dos criadores, dos criativos, dos que sorriem a Deus por entre palavras e náuseas.
"Vai sair, claro. Vai crescer e tornar-se autónomo, vai ser um filho perfeito.
Vai ser tudo. Vai ser o que não foste".
Penso-te...
Penso-te.
"cause you're the storm..."
Publicado por Fairy_morgaine em
11:39 AM
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