setembro 29, 2004

Luísa parte III

O meu único amor.
Que agora está longe de mim como eu estou do meu Pai.
É esse o caminho de todo o ser feito de vento e sentimento. Partir do seu espaço para procurar um espelho novo onde se reflectir e por trás dele um eco.
Um eco que nos permite conhecermo-nos. Luísa procurou o seu caminho.
Eu procurei o meu.
Eventualmente as criações da minha criação procurarão os seus.
Talvez seja a isso que chamamos ciclo da vida.
Numa busca por respostas em que cada vez mais se tropeça em perguntas.
O conhecimento deve ser isso mesmo. Matéria para se construírem ainda mais e mais inovadoras perguntas…
Um dia queria reencontrar Luísa. Um dia queria reencontrar o meu escritor. E neles encontrar-me.
E neles reconhecer-me…
Um eco como nunca conheci.
A perfeição da matéria igual.
Por agora entretenho-me a criar novas personagens mais completas, sem lábios vaginais. E por isso mesmo mais lineares e imperfeitas…
Numa busca eterna.
Numa busca de redenção.

(fim)

Publicado por Fairy_morgaine em setembro 29, 2004 11:15 PM
Comentários

O Acto da Criação é indescritível. Quando nos demitimos de Criar, estamo-nos afastando da Vida!

Fraterno Beijo,

Afixado por: Fernando Bizarro em setembro 30, 2004 01:39 AM

Está perfeito
beijo Rose

Afixado por: Black Rose em setembro 30, 2004 11:03 AM

Silvia!!
Os personagens a quem damos vida
vestem-se de nós..
respiram por nós..e ganham o mundo!!
Adorei este teu conto!!
Tu sempre te superas!! bjs para ti!!!

Afixado por: em setembro 30, 2004 07:15 PM

Acompanhei o texto todo e acho k esta fantastico. As personagens k criamos tem sempre um pouco de nos ... Beijokas****w

Afixado por: Monica em setembro 30, 2004 07:42 PM

A criação faz parte de nós, da nossa capacidade de originalidade. Se pararmos de criar, paramos de viver e tornamo-nos igual a qualquer pedaço de carne que vagueia por essas ruas fora por onde pisamos... Bjs***

Afixado por: †Profetiza†Morta† em setembro 30, 2004 10:11 PM

É Tempo de deixá-la partir, e de receber no mesmo espaço uma nova personagem, branca e sem forma, como um pedaço de plasticina, são assim as personagens, que criamos e recriamos à nossa imagem, e à imagem daquilo que queremos ou não queremos para nós.

Conheci Luísa, enquanto personagem tua, enquanto prolongamento do teu ser, enquanto fruto da tua criação, e hoje digo-te que não há saudade, nem lágrima que não compense a maravilha que é poder criar...

Um beijo para ti Rainha =) *

Afixado por: Catarina em outubro 1, 2004 08:18 PM