agosto 25, 2004

rouxinol

O rouxinol sempre te cantou
pendurado no ramo de uma árvore imponente,
atravessada pela seiva da vida.
Cantava-te em cada chuvada de verão
como se assim pudesse pôr fim ao medo
da morte. O rouxinol sabia-te cada centímetro,
tinha-te olhado no momento do nascimento,
conhecia-te os erros e os subtis sentimentos.
Escreveu-te numa folha verde,
pendurada no ramo mais antigo da árvore imponente
e de lá te lia sem um único vacilo.
O rouxinol sempre te cantou,
em cada minuto da tua vida desregrada.
E tu, surdo, mudo, cego, sem um único
segundo de paz, jamais lhe enviaste um olhar
de doce ternura, jamais te apaixonaste pela
sua divinal melodia.
Passaste pelos campos como pela vida,
apressado, desapaixonado, desenganado...
E o rouxinol... Esse...
Sempre te cantou.

26-04-03

Publicado por Fairy_morgaine em agosto 25, 2004 05:35 PM
Comentários

E se porventura lhe pegarmos, ele voa, não porque queira fugir realmente, mas por saber que não o sabemos alimentar (dar-lhe amor)... Um * Fairy.

Afixado por: Ninagasol em agosto 25, 2004 10:49 PM

Belíssimo esse poema. A forma cíclica, que começa e termina com o rouxinol, lhe dá uma força e uma beleza especiais. Parabéns por ele.
E um beijo daqui, do outro lado do mar.

Afixado por: Márcia em agosto 25, 2004 11:41 PM

a esperança.

a presença da esperança. como uma carta.

abraço. fairy.

Afixado por: João em agosto 26, 2004 12:51 PM

belo*

Afixado por: black rose em agosto 26, 2004 02:01 PM

Os rouxinois cantam e que bem cantam, Fairy! Infelizmente nem todos os ouvidos os sabem escutar. Mas também quem não escuta, talvez não mereça ouvir. Beijinho.

Afixado por: Monalisa em agosto 26, 2004 06:15 PM

Bonito...

jinhux sister ***

Afixado por: Joana em agosto 27, 2004 10:37 PM

Também já me senti assim com alguém e também ela passou "pelos campos como pela vida" apressada, desapaixonada e desenganada... tudo só deu certo quando o rouxinol da minha história decidiu voar para outras bandas. Pensa nisso!

Afixado por: Heitor em setembro 1, 2004 10:19 AM

Os rouxinóis continuarão a cantar, o mar será sempre azul e nascerão novas Crianças para reconstruir a Humanidade. O teu poema é um grito de desespero, amargura e desencanto. Fizeste-me recordar José Saramago no seu Ensaio sobre A Cegueira.

Está a aguardar pelo retorno da mítica Fénix que renascerá das cinzas.

Mas ainda não é o fim... O Fim é deixar de lutar!

Um Abraço Fraterno,

Afixado por: Fernando Bizarro em setembro 7, 2004 11:16 PM