agosto 19, 2004
Ensinas-me a escrever algo bonito?
Ensinas-me a escrever algo bonito? Um sonho, um sonho acalentado, uma carícia na pele.
Eu escrevo mágoa e princesas traídas.
Ensinas-me a escrever pedaços de poesia? Ensinas-me a ser poeta?
Nunca mais quero ler as minhas palavras. Quero transmutar-me, quero extrair palavras dos dias em que faço amor com ele.
Quero esquecer lágrimas, sons e gritos.
Quero aprender a esconder a alma em palavras bonitas que te façam sorrir.
Música. Música nos meus dedos.
Desço escadas. Subo escadas. Engulo escadas.
Chego sempre aos mesmos caminhos. Secam em mim rios de imaginação. Sou habitada por todas as personagens do mundo e não as sei parir.
Ensina-me a ignorar as ondas de tempo que me banham os pés.
Quero sepultar-me. Quero deixar orquídeas na minha sepultura.
Renascer. Quero criar rios de tinta de onde imergem sereias.
Silenciar a minha revolta e o meu medo. Morder a língua. Quero morder a língua e morrer envenenada.
Ensina-me... ensina-me a deixar de ser eu...
Por favor.. por favor.
Não me deixes aqui apenas acompanhada de mim mesma... não me deixes aqui onde me mordem e me esfaqueiam.. não me deixes aqui, não me deixes aqui...
NÃOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!!!
(um corpo a cair no vazio é sempre o som mais belo para os ouvidos de todos os que se regojizam em banquetes, risos e máscaras)
Vazio...
Vazio...
Publicado por Fairy_morgaine em agosto 19, 2004 10:24 PM
Olá sister!
Gostei mt desta parte: "Não me deixes aqui apenas acompanhada de mim mesma... não me deixes aqui onde me mordem e me esfaqueiam.. não me deixes aqui, não me deixes aqui...
NÃOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!!!".
Eu não te deixo aqui...
jinhu
A solidão pode ser algo terrível....eu sei! Nós podemos ser os nossos próprios carrascos...também sei!bjs
Acho que não precisas que te ensinem. Tens o dom dentro de ti ;) Bjs
A intensidade do texto é quase tangível!
Que bem que escreves e descreves esse sentimento de vazio... de procura de mudança!
Já me senti assim muitas vezes...
Que bem...
desço escadas. subo escadas. engulo escadas. só esta acção vale o texto todo.
beijinho
Quando li o teu post imaginei a Sylvia Plath murmurando estas palavras...Belo texto rasgado sobre a solidão e a escrita. Excelente, mais uma vez :-)
Acredita em ti, mas mesmo assim, muito bonito o que escreveste, gostei mesmo. Há mesmo momentos em que nos sentimos assim, mas tens d acreditar em ti, sempre, porque talvez sejas tu que consegues ensinar muita gente a escrever algo bonito, tão bonito quanto foi agora escrito por ti e partilhado.
Voltarei mais vezes. Quero ouvir-te gritar mais e forte.
Continua
"deixar de ser eu..." Provavelmente deixavas de escrever tão bem. Não deixes, please...
Gastei uma hora pensando em um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.
( Drummond )
Beijinho e bom fim de semana.
Gastei uma hora pensando em um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.
( Drummond )
Beijinho e bom fim de semana.
Como é que Ele diz?
...
Não é a solidão que faz um homem sozinho.
É paz na dor que sei de cor,
E o teu sabor no céu que é meu e onde grito:
Eu nunca te perdi,
E nunca te deixei,
Eu nunca te esqueci,
Em ti eu repousei,
Eu nunca te perdi.
...
Pedro Abrunhosa - Nunca te perdi
Lindo texto...revela entrega...dedicação...tanta coisa...e no entanto tão pouca comparando com a beleza dele. Tenho a certeza que consigo ler "Ensinas-me a amar-te?", no entanto não o vejo lá escrito. Beijo.
Soledad:
podemos no estar solos?
es un suenio constante creerse acompaniado?
es realidad la soledad continua?
el miedo a nosotros mismos nos aleja de los demas,
nos aleja de compartir quienes somos,
y de encontrar en los demas quienes son.
nos hace hermitanios y nos aleja, incluso, de nosotros mismos.
Perder el miedo nos ensenia a seguir hacia a delante sin temer lo que suceda, aunque nos pueda doler.
Nos ensenia a abrirnnos sin preocuparnos de que pasara.
Y nos ensenia a aceptar nuestros miedos como una parte mas de la vida, haciendonos humildes y conscientes de que no somos perfectos.
Hay ventanas de luz en la carcel de la soledad y solo tenemos que subir al pollete para ver la inmensa pradera de plenitud y libertad que esta tambien en nosotros, y esta en nuestras manos saltar de vez en cuando a ella para disfrutarla tambien, porque esa PRADERA tambien es NOSOTROS.
Un abraijo de alguien que quiere saltar mas a menudo a esa pradera.
Siento que sea en espaniol, pero es que no se escribir portugues.