agosto 17, 2004

Silêncio cúmplice

Porque a dor é a nossa forma de nos sabermos vivos.
Às vezes ouço uma voz... apenas uma. A ecoar pelos silêncios dos dias passados sozinha. Ela grita-me verdades que eu não posso negar. Nem quero.
Antes a verdade fétida que as mentiras suaves e corruptoras.
Antes tu que eu.
Antes a voz gritante que o meu silêncio cúmplice.

in "Memórias de uma Rapunzel sem asas"

Publicado por Fairy_morgaine em agosto 17, 2004 11:03 PM
Comentários

Sei bem do que falas...o silêncio pode englobar mentiras, dúvidas...mas o grito nunca poderá. Antes a verdade cruel que a minima dúvida de uma felicidade eterna. Beijo-te

Afixado por: IceBlackIce em agosto 17, 2004 11:15 PM

É. Negros que nunca sabemos em que parte da memória os deixar, porque a simples lembrança da sua presença faz com que não se encaixem em lado nenhum. E, como diz, Freud, gastamos imenso das nossas energias a procurar mudá-los de poiso.

Não sei. Nem toda a gente tem buracos negros tão profundos como os meus (que, felizmente, raramente me incomodam - como se tivessem no fundo de um poço, cobertos por uma camada de terra). E, ao que parece, como os teus.

Não é a ouvir os outros que verdadeiramente assimilamos uma forma de encarar a vida, porque para isso opera-se uma mudança mental só conseguida na experiência empírica. Há formas que se adaptam a uns e não a outros. Mas... eu evito revolver essas questões. Satizfaz a felicidade mais primária, sonha, vê "os pequenos nadas do dia-a-dia como o motivo de viver".
Esta citação é tão FRASE FEITA que não pôde deixar de ir a aspas.
E porque dou conselhos, se já sei que poderão não se adaptar? Como se ainda julgasse ser a detentora da verdade universal, das resoluções simples de como-ninguém-tinha-pensado-nisto-antes, tão próprio da adolescência?

"Antes tu que eu".
Tantas, tantas vezes senti isso. Temos nojo de nós próprios. Mas temos de lidar com isso. Arquivo RAR do qual se perdeu a password. No fundo, sou boa pessoa, num recanto qualquer, tenho algo que não presta. Mas... está perdido. como se não estivesse cá. E se calhar já não está.
Isto, esquecendo o senhor Freud =P.

"...pelos silêncios dos dias passados sozinha". Não o estejas. Põe objectivos a curto prazo, ocupações, etc etc. VIVE.
Outra frase feita tão irremediavelmente dentro de contexto: "se passamos o tempo a revolver o passado, perdemos o presente. E só ficará o arrependimento de não o termos vivido".

Bom. Talvez uns breves quinze anos de vida não sejam de fiar.
Não sei.

As minhas cicatrizes do passado não as sinto na minha vida normal. Mesmo que quisesse contar a minha infância, não poderia - muita coisa evaporou-se.
(e desculpa. Foi grande demais... eu não tenho remédio...)]

Afixado por: ~Nevernaya em agosto 18, 2004 12:44 AM

Sim... Antes tudo isso.
Pena que por vezes não tenhamos a coragem de conseguir ver o Mundo assim, resta-nos o eterno pedido de sermos fiéis ao Eu que habita em nós...

Beijinho doce,

Afixado por: Catarina em agosto 18, 2004 10:38 AM

Tu és a ESCRITA, Sílvia.
Vou encerrar o "Letras"
Beijo-te amiga

Afixado por: LetrasAoAcaso em agosto 18, 2004 12:18 PM

Ao memso tempo que nos faz sentir vivos, a dor, associada a esa voz solitária, também pode ser uma forma de nos ir matando a pouco e pouco. Um beijo e parabéns pelo excelente blog. :*

Afixado por: Eu Também em agosto 18, 2004 01:18 PM

A verdade doi mas não faz sonhar com doces espinhos.
Beijos

Afixado por: Sara(vert) em agosto 18, 2004 01:53 PM

e' bem verdade, ao sentirmos dor sabemos k estamos vivos, mas o mesmo se passa quando estamos alegres, nao? por isso vive a vida!jinhos.

Afixado por: tulipa em agosto 18, 2004 02:31 PM

sempre sublime..*

Afixado por: Black Rose em agosto 18, 2004 07:55 PM