julho 28, 2004
Ouvem-se nitidamente os seus silêncios a gritar
E eles esventram.
Não que eu me esteja a queixar, entendes?
Um hospital é sempre parecido com um hospício. Não que estejamos propriamente afectados da cabeça, mas sim porque os pensamentos das pessoas que se arrastam pelos corredores, chocam connosco quando nos tentamos deitar na cama.
Eles ocupam todo o espaço.
São enormes, duros. São buracos negros de tristeza e solidão.
Remoem-se as vidas, os destinos, as escolhas, as maleitas. Remoem-se impossibilidades.
Tudo na vida que não é experimentado, que não é ousado, não o é simplesmente pela sua impossibilidade. As pessoas vivem para a experiência, para tocarem. Se não tocam é porque algo as impede. É porque esse acontecimento era de alguma forma incompatível com outras escolhas e ia deixar a nu a relatividade dos sentimentos.
As pessoas convivem mal com as contradições. Contornam-nas, apagam-nas, ignoram-nas. Para elas, tudo na vida tem a sua coerência. Mesmo o absurdo.
Por isso se ouvem nitidamente os seus silêncios a gritar.
Publicado por Fairy_morgaine em julho 28, 2004 08:06 PM
Ouvimos sim, Fairy e como dói estes gritos mudos, mais... muito mais.
Querida, vir aqui e ler estas tuas palavras, é acordar para um outro lado da vida. Um lado sombrio, mas verdadeiro. Obrigada por aprender sempre contigo. Muitos beijinhos.
Parabéns pela lucidez revelada no teu post Fairy.
Um beijinho para ti :-)
Por vezes o silêncio grita mais alto, que qualquer das vozes e sons do mundo :) Bjs
"sinto-me perdida no sil~encio que gritas"Black Rose