julho 07, 2004

Os teus dedos são a frase mais bela que já li nos olhos de Deus

Seguras-me contra ti num dos raros momentos em que a realidade cede lugar ao mágico.
Sinto na força das tuas palavras não ditas, segredos e fantoches suspensos, presos pelos bracinhos frágeis, facilmente controláveis e patéticos.
Percorro os teus lábios com a minha memória e os meus dedos ocos.
Crescem-me sempre inseguranças na falta de preenchimento dos dedos e da alma.
Em mim vive um rancor danado e exilado. Um rancor de não ouvires as minhas palavras e os seus sons sibilantes, as minhas gritantes necessidades de compreensão.
Em mim guardo a prova da falsidade do silêncio. O silêncio jamais foi compreensão.
Pelo contrário, é exigente e ciumento.
Devora-nos.

Seguras-me e adivinho-te pensamentos longínquos. Odeio-os.
Odeio todos os momentos que viveste sem mim.
Odeio todos os teus planaltos onde não te posso seguir.

Nunca fui mulher de regularidades.
Aprendi muito cedo o sabor da inconstância e como ela nos vicia.
"Todos te amam sem que tu os ames" - disseram-me um dia.
Ninguém ama alguém que não conhece.
Amaram apenas uma imagem que gosto de passar para depois os enforcar na sua própria sede de poder e manipulação.

"Ela não é tão estouvada quanto parece" dizia o meu amigo à pequena traidora.
E ela mordia a língua, esfaimada das minhas derrotas.

Não lhas dei.
Dei-lhe silêncios e pedaços de palavras sem verdadeiro sentido.

Mas tu és meu.
És o jardim que quero habitar.
És a morada do meu corpo e dos meus anseios.

És.

Por isso amo-te.
Pelas tuas maravilhosas imperfeições, as tuas lágrimas salgadas quando te inundas de dor, os teus lábios carnudos nos meus cabelos.
E eles também te amam. Não da forma que eu te amo, mas de uma outra, mais profunda.

Porque quando te escrevo, te dou aos pedaços, os deixo provar da tua essência que trago presa na ponta dos dedos.
Cubro-te as imperfeições com panos de seda branca e entrego-te nu.

Não, não te envergonhes. Não te encolhas. Desnuda-te para mim. E de mim para eles, para os que te seguram carinhosamente nos braços enquanto te(me) lêem.

Quero que possas estar comigo sempre. Mesmo nestes mundos meus, de escrita, de poesia, de amor infinito pela humanidade.
Por isso te passeio, te cubro, te desnudo, numa harmonia perfeita de braços, línguas, palavras, sexos, pernas, reticências...
Porque os teus dedos são, sem dúvida, a frase mais bela que já li nos olhos de Deus.

Publicado por Fairy_morgaine em julho 7, 2004 06:58 PM
Comentários

"(...)apenas uma imagem que gosto de passar para depois os enforcar na sua própria sede de poder e manipulação." - Gosto. Muito, mesmo:) **

Afixado por: D. em julho 7, 2004 07:28 PM

obrigado por partilhares este poema...

Afixado por: cparis em julho 7, 2004 08:02 PM

:) li os teus comentários..:P e fikei feliz por teres gostado...bom mas passando ao meu comentário(k no fundo anda sp em volta do mesmo...) para n variar n existem palavras pa descrever a forma cm escreves...por isso vou deixar-te o meu habitual beijo ;)

Afixado por: lacshimi em julho 7, 2004 08:27 PM

Gostei muito do teu texto e do teu blog. Aproveita para conhecer o meu. Beijos. Jony Le Tenkro.

Afixado por: Joni Le Tenkro em julho 7, 2004 10:18 PM

Feliz o alvo de tal declaração :) Gostei da tua casa. Voltarei, na certa

Afixado por: Yardbird em julho 7, 2004 11:45 PM

O que é que eu hei-de fazer contigo? Hum?

Leio e Releio e Leio mais uma e outra vez as tuas palavras, e danço ao sabor delas, e delicio-me com o aroma que trazem na voz de um ser bonito, extremamente bonito...

A imagem que descreves é extremamente bonita e o momento tem algo de mágico, mas só uns olhos em estreita ligação com o coração podem fazer das imagens - sentimentos.

Um beijo doce,

Afixado por: Catarina em julho 8, 2004 12:32 AM

O que é que eu hei-de fazer contigo? Hum?

Leio e Releio e Leio mais uma e outra vez as tuas palavras, e danço ao sabor delas, e delicio-me com o aroma que trazem na voz de um ser bonito, extremamente bonito...

A imagem que descreves é extremamente bonita e o momento tem algo de mágico, mas só uns olhos em estreita ligação com o coração podem fazer das imagens - sentimentos.

Um beijo doce,

Afixado por: Catarina em julho 8, 2004 12:33 AM

Quantos não gostariam de estar contigo sempre?
As tuas palavras são doces como o mel, suaves como a seda, sensuais como só uma mulher( uma deusa) sabe ser

Ler-te suavisa-nos os problemas da vida. Obrigado por aquilo que escreves tão bem.

Afixado por: João Norte em julho 8, 2004 03:56 PM

Qdo leio-te.. sinceramente, não tento desvendar o que te vai a alma. Nem a minha tento, pq acho que as palavras rastejam pelos cantos e vem de forma aterradora, soterrando-nos..Detesto dizer isso, mas direi. É lindo!
bjs!

Afixado por: em julho 8, 2004 06:07 PM