junho 14, 2004

Fome

Tenho fome, amor.
Tenho ânsia, tenho um torpor
que me invade os olhos e me faz
sussurrar o teu nome,
rasgar a minha carne de carícias,
de beijos roubados.
as mãos que me roubam as mãos,
os teus lábios
sumarentos e exigentes.
Quero-te, amor.

Inclinas-te sobre mim,
invades-me bruscamente.
Sou tua, gemo subitamente
o corpo arqueado na dor de te ter
dentro.
Montas-me,
navegas-me.
Seduzes-me, apaixonado e mentes.

Mentes as mentiras que quero ouvir, amor.
Dizes que não vais, nunca.
Nunca é sempre muito tempo.

Quero engolir-te, renovar-te em mim.
Parir-te na noite escura.

Passeias as tuas mãos nas minhas curvas e
recantos.
Nunca é já ali, prometes.
Não te deixo, não te deixo,
murmuras.
E eu, delirante, acredito.
Acredito em ti e no teu pénis teso
que me atravessa.

Não te venhas, imploro-te...
Só mais um momento, só mais um gemido.
Apenas mais um segundo desta união sagrada.

Foi no teu colo que aprendi a sonhar...
Foi no teu colo que quis morrer.
É em ti, no teu peito, és tu, és só tu...

Vens-te em mim,
rebentas em mim,
gritas em mim...
E morres como uma onda vem morrer
à praia.

Sonha. Sonha com o nunca.
Sonha com o nunca mais vai acabar.
Com o orgasmo infinito.
Com o amor perfeito.
Com o meu cheiro. O meu sabor.

Sonha. Com a perfeição.
A inalcançável verdade.
Amanhã é nunca. Amanhã...

Publicado por Fairy_morgaine em junho 14, 2004 10:17 PM
Comentários

Wow... repito: Wow... Sem possível comentário; um dos poemas mais lindos lido por mim.

Afixado por: downthesun em junho 15, 2004 02:00 AM

Procurei uma palavra, um adjectivo, só um que caracterizasse este poema.
Impossível!
Intenso! ... íntimo!... verdadeiro!...Sensual!...
Apaixonado!...Realista!...

BONITO.

Afixado por: João Norte em junho 15, 2004 11:16 AM

fiquei entesado. a poesia tem destas coisas.

Afixado por: fernando esteves pinto em junho 15, 2004 02:04 PM

sem dúvida..;) **

Afixado por: lacshimi em junho 15, 2004 02:57 PM

ainda bem que voltaste. muitas vezes vim aqui em vão. hoje. não.

amanhã. que seja sempre.

abraço.

Afixado por: João em junho 15, 2004 07:41 PM

Sabes, Sílvia... gostava de te ouvir a declamar estas tuas palavras. Aliás, imagino a voz e a expressão "delas".
Tu não tens fim... Menina.
Um grande beijinho.

Afixado por: Maria Oliveira em junho 16, 2004 12:05 AM

Gostei do poema. Deverias ler o Love Book da Lenore Kendel, gráfica qb. («O meu amante balança o sexo, como um beija-flor. Equilibrado na delicada orla. Que prazer ser uma planta de mel e abrir-me.» Cito de memória, ñ me lembro onde partem os versos.)

Afixado por: KLATUU em junho 22, 2004 06:08 PM

Só discordo de 1 conceito: «união sagrada». Nada vejo de sagrado no sexo, felizmente é profundamente profano... por isso é comum aos homens e às bestas. Do amor dos anjos é inútil falar.

Afixado por: KLATUU em junho 22, 2004 06:16 PM