abril 25, 2004
Até breve
Vou estar ausente por alguns dias. Quantos não posso, infelizmente, prever.
No entanto quando voltar virei logo dar-vos um beijo doce.
Por agora deixo um poema antigo... como forma de adeus e até já.
Respira devagar sem que ninguém te sinta.
Deixa que o teu peito receba o subtil
sopro de vida. Deixa-o arquejar enquanto me tomas
as mãos e num sorriso me fazes promessas que ambos sabemos
são tão fáceis de quebrar. As promessas existem
apenas para que as possamos esquecer e criar
tapetes de dor nas suas cinzas.
Ontem o dia correu mal contas-me tu, envolto numa neblina
enquanto procuro identificar um homem que era menino.
Ontem o dia correu de facto mal, concluis e suspiras
e eu engulo o teu suspiro e com ele cubro-te
como uma mãe que procura o filho no frio da noite e o encontra
ardente em febre.
Talvez eu ainda te saiba, penso eu enquanto te percorro
as linhas do rosto com as mãos.
Eu estou diferente, sabes?
Faço amor de forma diferente e amo de forma diferente.
Sou amada de forma diferente. E porém igual, dizes-me tu,
com os olhos verde-azuis-cinza que não têm cor mas têm sentimento.
Levantas-te e percorres o quarto e tentas decorar
cada nuance do meu corpo. É igual dizes tu,
e porém diferente.
Vais lamuriando todos os poros da minha pele
numa ladaínha sagrada...
Dizes que assim vais sempre saber por onde começar
quando a tua memória te exigir a atenção
de uma mulher que era menina.
E agora...não sabe o que é.
O telefone toca.
Toca sempre nos momentos mais previsíveis.
É sempre quando aproximas os lábios para me dizeres
que afinal tudo mudou e tudo fica igual.
Nunca dizes.
Fica sempre suspenso entre nós
como um fio de teia que tecemos nas mãos
hábeis. Afinal era um recado sem importância,
exigem a nossa presença num qualquer café.
Vestimos as nossas peles e deixamos de ser amantes
para sermos dois seres vulgares.
Sentamo-nos no café e as pessoas fitam-nos
com os seus olhos enormes e cheios de erros
falhados na vida.
Querem perguntar-nos o porquê de nos amarmos
mas a pergunta não sai e fica suspensa nas chávenas de café
que subimos aos lábios.
A pergunta amarga-me a boca.
Não digo nada. Abraço-te.
És meu e todos sabem isso menos eu.
Eu não o sei. Apenas o pressinto.
Às vezes engoles o café muito depressa e ainda
com a língua a queimar-te o céu da boca dizes-me baixinho:
"onde andaste? quero sugar cada dia que não estiveste comigo."
Eu olho-te e num sorriso entrego-te um bilhete
clandestino por baixo da mesa.
Nele escrevi à pressa uma morada.
É uma morada qualquer. Uma casa qualquer, uma rua qualquer.
Quero partir e esconder-me lá.
Ser tua sem que o saibam. Ser clandestina de novo.
E quando terminar não quero sentir o telefone.
Não quero ir a correr para o café
com a pergunta inacabada a escorrer-nos dos dedos.
Quero amar-te uma e outra vez. E no final
quero que me olhes.
Quero que deixes o som sair em espiral
enquanto suspiras palavras
que depois não nos vamos lembrar.
Quando voltarmos ao café, de mãos dadas
eles vão sentir que partilhamos um segredo.
Um segredo que mais ninguém sabe.
Um segredo que fizémos nascer entre nós.
Sei que eles vão querer mastigá-lo nas mandíbulas gastas.
Mas nós vamos sorrir e devagar tomar o café
até que o amanhã chegue.
O telefone irá tocar e nós iremos atender e dizer em voz baixa
que não, não vamos.
Queremos amar-nos sem parar.
Nessa tarde não iremos ao café.
Não vestiremos a nossa pele comum.
Seremos apenas amantes.
Apenas...nós.
silvia
08-11-03
Publicado por Fairy_morgaine em abril 25, 2004 10:10 AM
Até já, Sílvia. Já, mesmo...!
Um beijo.
oieee!!! bom eu nem entendo mtu d poesia!!!
mais eu curti essa dai q vc fez!!!! não manda mtu bem com as palavras!!!!
mais minha maninha escreve bem!!! vc sempre entra no blog dela axa q vc lembra o dela é( www.debinhalokinha.blogger.com.br)
foi lá q eu peguei seu blog!!! é q por sinal gostei mtuuu!!!!
entro no meu blog ... bele??
bjs!!!
O telefone que toca...e qdo toca nos toca..
sempre aqueles momentos que ficam lá jogados no ar hão de nos sucumbir aos ceus pela lembrabnça da saudade ou medo da realidade que nos rodeia..
simplismente mágico seu poema!!^^
vê se volta logo...sentirei saudades!!
vai. vive. mas volta sempre.
abraço.
Simplesmente espantoso.
A riqueza deste poema é difícil de comentar num espaço pequeno, difícil comentar pelas minhas palavras muito pequenas para tanto que haveria para dizer.
Ficamos então a esperar que a Silvia volte com saude para nos prendar com mais textos destes.
O que dizer mais à Sílvia se tudo já foi dito?Apenas os votos de um bom trabalho e que no seu regresso traga ainda mais inspiração que nos deleita a todos...;) **
Que lindo, Fairy, que lindo! Dos que li, este foi o que mais me identifiquei e sonhei...ah! que saudades! Espero que voltes, quero ler mais e mais, o que escreves é um deleite. Um beijão.
Não precisamos de muito, nada muito além de um sorriso de cumplicidade entre um café e outro dentro de tantos cafés que tomamos na vida. Beijos,
OLá!
Estou aqui de novo. Apareça.
Abração,
Antonio Jr
Esta amiga bloguista já nos faz muita falta.
Passo por aqui diariamente na expectativa de um novo texto na certeza que ele será tão belo como os anteriores.
Votos de
Rápido Voltar
Saudações!!!PObre mortal....O seu triste
e melancolico mundo tha muito
Ilário! Muito bom mesmo! Gostaria de lhe fzr um
convite para visitar o meu cemiterio!PARABENS
Te linkarei se na se importar...Pois um blog desse
merece ser conhecido por todos os mortais!
Obrigada !
->DArK_
Ja sinto saudades da minha maninha... todos os dias aqui venho ver se existe algo de novo para eu ler e comentar..... mas nada...tudo igual....volta depressa fairy!
****** doxex da Jenny Dolu.txi mt
Fika bem lindonah
Sílvia, estás melhor?! - Para quando esse regresso, amiguinha?!Sentimos todos - eu sinto - saudades tuas.
Rápidas melhoras e beijos meigos.
Zé
Sílvinha lindonah, espero k estejas boaxinha dentro do poxível. Eu é k cada dia k paxa xinto mais a tua falta linda.
fika bein
DOLU.TXI MTTTT
******* doxinhox da Jenny
Sílvia, o corre-corre da vida nem sempre nos deixa espaço para fazermos notar a nossa solidariedade.
Todavia, minha querida todos os dias, penso em ti.
Estás melhor?
Dá sinais de vida!
Beijos.