março 27, 2004

A todos vocês que me lêem

Criar é um acto de amor solitário que aprendemos a partilhar com todos aqueles que nos lêem e consequentemente nos despem e ficam suavemente a olhar-nos nos olhos, a sorrir-nos, a pensarem mil e uma coisas sobre os motivos e sentimentos que nos levam a escrever aquela palavra e não qualquer outra, a colocar aquelas reticências e não um ponto final.
A escrita é assim um momento em vários actos. A criação que é sempre apaixonada e no meu caso célere, o acabamento e posteriormente a leitura por todos aqueles que perdem algum do seu tempo a descobrir-me por entre as brumas das minhas próprias dúvidas e facetas.
Às vezes pergunto-me: será que entendem a coragem que é necessária para despir-mos as certezas cómodas do dia a dia e lançarmo-nos dentro de nós mesmos numa viagem em que não sabemos de onde partimos e muito menos para onde vamos?
Nunca ficarei a saber.
Mas sei que amo cada pessoa que me lê, porque é impossível não amar cada mente que me toca assim, tão nua e fragilizada, tão exposta aos beijos dos seus lábios rubros.
E é nesse constante ritmo de paixão que me entrego, que me dispo, que me reeinvento para vocês e para mim, me pincelo, me descasco até que um dia ficarei apenas eu totalmente desprovida de máscaras e enganos...
Nesse dia uns vão-me amar, outros vão odiar, outros apenas nem se darão ao trabalho, mas eu estarei feliz porque ao ver-me no espelho sou APENAS EU e não uma sílvia que moldaram e eu aprendi a rasgar.

Publicado por Fairy_morgaine em março 27, 2004 09:56 AM
Comentários

devo dizer que adoro te ler adoro mesmo que deixes de escrever vou sempre ler o que escreves, mesmo que deixes de escrever mais. pois o que já escreves-te da-me para voar. não digo amar porque jamais amei!!! e não sei ver esse sentimento. mas como eu adoro te ler.
e já mais deixo de gostar.

abraço grande, para a poeta grande

Afixado por: fernando em março 27, 2004 12:24 PM

Podem amar-te ou não.Isso é um problema de relação pessoal.
É impossível não gostar( amar) a tua escrita.
É impossível não admirar a pessoa que escreve. Adquirir por ela um enorme respeito e uma enorme simparia e admiração.

Afixado por: João Norte em março 27, 2004 01:36 PM

a ti que nos escreves: entender a obra nem sempre é entender a criação. mas continuas a criar, a despir-te e a vestir-te das cores que nos contas. as cores cada um vê à sua maneira, não só por limitação fisiológica mas também pela sensibilidade que cada um de nós tem para certos tons.. e no fim tu és de facto tu, e tb tu te ves a ti com a sensibilidade dos teus tons!

Afixado por: abstracto em março 27, 2004 03:59 PM

as minhas palavras ligam-se às tuas palavras.

Afixado por: fernando esteves pinto em março 27, 2004 03:59 PM

Querida Sílvia. (Permite-me o querida).
Já deves ter reparado que não sou de muitas palavras nos meus comentários.
Desta vez, alargo-me um pouco.
És uma corajosa "menina". És talentosa. Conheces o chão que pisas e sabes crescer dentro de ti mesma.
Felicito-te pela rica natureza que de ti brota.
Um grande beijo.

Afixado por: Maria Oliveira em março 27, 2004 11:29 PM

A arte são cumplicidades, silêncios e desnudares. Despudoradamente o mergulhar em nós mesmos. E assimilarmos a nossa face menos boa, conviver com ela, tentando ao mmº tempo melhorá-la.
É um acto tão solitário, o da escrita! Mas tu sabes isso.
Bjs meigos e amigos

Afixado por: AcasoDeLetras em março 27, 2004 11:31 PM

Concordo com o acasodasletras. Pode ser solitária a escrita mas estarei cá sempre para te ler. um beijo

Afixado por: encandescente em março 28, 2004 12:01 PM

li e lerei:)

Afixado por: wind em março 29, 2004 04:00 PM

Lindo :) acredita que o amor com que te dás a conhecer é igual ao com que te leio, eu e os outros que te descobrem.

Afixado por: PEdro em março 30, 2004 01:56 PM