Rebento
Rebento.
De pensamentos, de metamorfoses, de personagens a exigirem vida, de reflexões... De pensamentos, de tantos pensamentos, sempre eles, sempre urgentes, sempre apaixonados E INTENSOS.
Rebento pensamentos por todos os buracos do corpo.
Pela vagina, pela boca, pelos olhos... Eles dilaceram-me tal é a necessidade de os parir.
No entanto, a minha capacidade de mãe-criadora não me chega para todos eles.
Terei de os deixar a vogar no espaço vazio por entre duas palavras.
Não lhes quero dar forma.
Não quero que eles me violem desta forma.
E mesmo assim venho-me. Uma e outra vez. Gemo alto de tanto prazer ao parir todos estes pensamentos obtusos.
Queria poder partilhá-los mas eles não permitem... São possessivos, seguram-me os pulsos e fodem-me um após outro, mal conseguem erguer-se nas patas traseiras.
Rebento...
Rebento de esperma de onde nascerão mais pensamentos, mais personagens, mais urgência.
Eles querem que os ame, que os embale, que seja puta, que seja mãe, que seja amante.
E eu sou tudo isso e muito mais.
E muito menos também.
Enquanto me venho uma e outra vez com o teu nome preso nos lábios e os pulsos presos nesta cama que se construíu dos nossos olhares e pernas que acasalaram sem a nossa permissão.
Publicado por Fairy_morgaine em março 17, 2004 12:27 PM
Fogo, caramba, sem respiração! Quase "rebentei" a ler. Palavras com uma força incrível. Muito forte, directo, sensual, erótico, sexual...
Para mim, o melhor de todos até agora!