março 09, 2004

As noites gritam-me o teu nome

A noite hoje gritou-me o teu nome cruelmente aos ouvidos.
Eu torcia-me, febril, espasmódica, e nos dedos apertava os teus, imaginários.
Ouviste o meu grito ecoar no teu silêncio?
Devias dormir, amor, solto como um anjo, tu que és tão isento de culpas.
Já te disse que te vou conspurcar toda a inocência? Que te vou apertar nos meus braços e apagar de ti os anos de solidão?
Devo ter dito quando gemo o teu nome. Ou talvez não tenha dito. Talvez apenas tenha sonhado.
Às vezes liberto mensagens nas nuvens e aguardo que elas te as entreguem. As nuvens são boas mensageiras, disse-me um dia uma ninfa que passou apressada por aqui.
E eu acreditei.
Então murmuro-lhes poemas e em seguida escrevo o teu nome no baço da janela e aguardo que nos meus sonhos venhas e me digas "ouvi-te... dizias que precisavas de mim. estou aqui."
Mas os meus sonhos são sempre dessassogados, amor.
São sempre amargos.
São restos, são sementes da intensa tortura de ser eu durante anos a fio (agir de acordo com o silêncio nunca é fácil).
Fecho os olhos e imagino o teu rosto, o teu sorriso sempre tão quente, os teus braços a estreitarem-me junto ao teu peito enquanto com os dedos me passeias os cabelos.
És só tu amor, que me acalmas a dor, que me limpas o rosto suado, que te inclinas e me dás água enquanto seguro o copo tremente.
E me murmuras: "estou aqui...amo-te..". Quase sem voz. Apenas suaves carícias dos lábios (existem palavras que são carícias que a língua faz e perpetua).
É o teu nome que grito silenciosamente nestas noites em que a dor se espalha por mim. Quando agarro os lençois desesperada é o teu rosto que desenho para me serenar.
Depois adormeço. Embalada na tua presença. Adormeço com a respiração alterada, o corpo cansado das lutas nocturnas.
De manhã quando ouço a tua voz doce, quente, serena a acariciar-me a alma digo jovialmente: "sim amor está tudo bem. sinto saudades tuas."
As noites são só das nossas almas. Não quero falar delas quando o Sol se levanta. Parecem demasiado irreais.
As noites amor... gritam-me o teu nome cruelmente aos ouvidos.

Publicado por Fairy_morgaine em março 9, 2004 05:40 PM
Comentários

Que escrever depois de ler? Só isto: Belooooooooooooooo, lindooooooooooooooo, de um sentir e viver incríveis.

Afixado por: wind em março 9, 2004 07:03 PM

Muitas vezes as noites também me gritaram o nome de alguém...se te magoei com o meu comentário para desanuviar, desculpa.

Afixado por: wind em março 9, 2004 09:43 PM

Jamais amiga. :) Fico muito feliz por ver o teu entusiasmo... :D Gosto de criar emoções nas pessoas :D

Afixado por: fairy_morgaine em março 9, 2004 10:52 PM

"Agir de acordo com o silêncio nunca é fácil"
Eu como vivo no silêncio, e que jamais tive um amor, que grito duram-te a noite. Que não tenho ninguém que me acalme a dor. Por momentos fiquei a pensar que amava alguém ao ler este belo texto. Parabéns
Abraços se me é permitido

Afixado por: fernando em março 13, 2004 12:57 AM